Amor que corre pelas veias: Artur é doador de sangue há 50 anos

Conheça a história de Artur e Harry, doadores a longa data

A semana foi marcada por amor em Erechim, não só pela passagem do Dia dos Namorados, data conhecida pela troca de presentes e carinhos, a verdadeira troca aconteceu no Banco de Sangue. No dia 14 de junho comemora-se o Dia Mundial do Doador de Sangue e o Jornal Boa Vista conheceu histórias de amor que corre pelas veias.

“A forma que encontrei de realizar o meu voluntariado foi por meio da doação de sangue”

A história do militar e professor de português aposentado, Artur Ferreira Batista, de 77 anos, tipo sanguíneo O+, é inspiradora para quem quer ajudar a salvar vidas. Ele é doador há 50 anos. Conta que começou a doar sangue em Porto Alegre, quando trabalhava na Brigada Militar. “O pessoal normalmente procurava as corporações militares e então, me prontifiquei. Mudei para Erechim e a cada 60 ou 90 dias, faço a minha doação. Tenho uma filosofia de vida que, quem tem condições financeiras pode fazer sua contribuição por meio de dinheiro, doações e outros recursos, mas como não consigo ajudar desta maneira, a forma que encontrei de realizar o meu voluntariado foi por meio da doação de sangue. Já estaria liberado, não faço mais parte da faixa etária para ser doador, mas realizo acompanhamento médico, apresento meus exames para a entidade dizendo que gozo de boa saúde e que posso continuar doando. Sinto-me bem fazendo o bem, sem olhar para quem, é gratificante”, disse.Três gerações de doadores

A possibilidade de poder salvas vidas em uma atitude que leva poucos minutos, fez com que o militar tornasse a doação uma rotina pessoal não só para ele, mas para o filho mais velho e a neta. “Somos três gerações de doadores e isso me alegra. Por isso para quem está pensando em ser doador, não sinta temor ou preconceito com relação à ação, não tem alteração nenhuma com a saúde, ao contrário, é satisfatório, prazeroso e psicologicamente dá sensação de cumprimento do dever. Sejam doadores, venham até o Banco de Sangue, tire um tempinho, o procedimento é rápido. A equipe é sensacional, a gente se sente em casa e não quer mais parar de ajudar o próximo”, assegurou.

O problema de saúde se transformou num ato de amor

Harry Victor Arndt, 69 anos, tipo sanguíneo O+, realizou a primeira transfusão de sangue em 1964.  “Eu trabalhava na Unetral e trouxeram um chassi do nordeste e junto com ele, veio um nordestino, era inverno e ele adoeceu. Na atitude de querer ajudá-lo com a transfusão de sangue acabei desmaiando. Na época era braço a braço, passei mal, desmaiei e fiquei recioso, não quis mais doar” contou Arndt. De lá pra cá, em 1974 em função de um problema de saúde, excesso de ferritina no sangue, Arndt precisou voltar ao Banco de Sangue e logo percebeu que o processo havia mudado muito e não era doloroso. Tão logo, “melhorei minha saúde e não deixei de ser doador. A cada dois meses ou três, meu ponto de parada é o Banco de Sangue. Minha filha também é doadora, mora em Porto Alegre e também se sente feliz em fazer o bem”, contou.

320 pessoas doam sangue por mês em Erechim

Atualmente, conforme a Enfermeira Responsável Técnica do Banco de Sangue, Gelciane Pierina Pavan, aproximadamente 320 pessoas doam sangue por mês em Erechim e o estoque está satisfatório. “Felizmente em função dos doadores voluntários conseguimos manter o estoque, mas é claro, os tipos sanguíneos negativos são muito necessários. Para termos uma ideia, no mês de maio tivemos apenas dois doadores do grupo AB-. Então hoje, se eu tiver um paciente que é do grupo AB-, precisarei utilizar o O-. Por isso o apelo constante é pelos grupos negativos”, afirmou Gelciane.

Quero ser um doador

Segundo Gelciane para ser doador basta ligar no 3522-5366 e agendar a doação. “Posteriormente, na data agendada vá até o Banco de Sangue munido de documento com foto e o cartão do SUS. Chegando aqui o nosso candidato à doação vai realizar uma triagem clínica, ser avaliado se naquele momento está em condições de fazer a doação. Em casos como o do Artur, com mais de 70 anos, é preciso autorização médica dizendo que está apto a doar. O voluntariado é muito importante para nós, o Banco de Sangue só existe porque tem doadores e pessoas que divulgam este trabalho”, finalizou.

Por Carla Emanuele 

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