UFFS prepara exposição de animais taxidermizados em projeto de educação ambiental

Iniciativa do curso de Educação do Campo utilizará o espaço Conexões das Ciências para promover ações com escolas da região

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Equipe do projeto trabalha na revitalização dos animais taxidermizados (Fotos: Dolisete Levandoski/Divulgação/UFFS)

Serpentes, jacaré, aves e capivara. Você já pensou em abrir a porta de uma sala e dar de cara com todos esses animais? Sim, é possível. Pelo menos se você estiver no novo bloco da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim. Ali, no segundo andar, encontra-se um acervo com todas essas espécies. Os animais, que estão taxidermizados, fazem parte do Espaço Educativo Conexões das Ciências.

Aqui, cabe uma explicação: a taxidermia é uma técnica de preservação da forma da pele e tamanho dos animais, buscando conferir uma aparência de que os bichos estão vivos. É usada para fins científicos, educativos ou artísticos. Há ainda quem utilize a expressão “animais empalhados”. O termo caiu em desuso tendo em vista que a palha é apenas um dos produtos para encher a pele dos animais. Hoje a taxidermia já envolve uma complexidade de técnicas muito maior.

Explicação feita, voltemos à UFFS. O Espaço Educativo Conexões das Ciências faz parte de um amplo projeto de extensão, realizado pelo curso de licenciatura Interdisciplinar em Educação do Campo: Ciências da Natureza, e que vai promover, nos próximos meses, atividades voltadas a professores e alunos de escolas de Educação Básica da região, além de auxiliar na formação dos acadêmicos da Universidade, na formação de monitores, entre outras ações.

Coordenada pela professora Cherlei Coan, a iniciativa inclui também uma exposição temática que abordará os biomas do Rio Grande do Sul. “A ideia é expor a coleção de animais de modo que eles estejam inseridos em seus ambientes naturais, procurando dar uma ideia do habitat das espécies”, explica a docente.

A exposição contará ainda com painéis temáticos e banners sobre os biomas gaúchos, retratando elementos da paisagem natural e da cultura regional. “Será um importante instrumento de educação ambiental, oportunizando ao público conhecimento relevante sobre o papel da fauna nos ecossistemas e a necessidade de proteção e conservação”, adianta Cherlei. “O próprio universo das cores e das formas da natureza, presentes nos pelos, nas peles, nas penas, nas patas e nos bicos dos animais, são elementos que atraem a atenção, despertam a curiosidade sobre o conhecimento da natureza, suas formas e seus eventos”.

Ao mesmo tempo em que estão sendo planejadas atividades pedagógicas para que os visitantes da exposição possam interagir com os elementos, a equipe do projeto trabalha na revitalização dos animais taxidermizados. O acervo, doado pela Mitra Diocesana de Erechim, necessitava de limpeza e medidas de conservação. O trabalho é delicado: consiste em escovar pelos, alinhar penas, costurar, colar ou pintar algumas partes dos bichos, revitalizando as peças do acervo para que permaneçam com a aparência mais próxima do real.

“Alguns exemplares apresentam uma taxidermia mais amadora, verificada pelas deformações das montagens e pela qualidade do suporte sobre os quais foram depositados”, conta a professora Cherlei. “Outras peças, entretanto, ainda sustentam a aparência de vida, e os animais foram montados em suportes de qualidade superior às demais”.

Para o trabalho de revitalização, a equipe conta com o apoio técnico do laboratorista Marcelo Zvir de Oliveira, técnico em Anatomia e Necropsia da UFFS – Campus Passo Fundo, bem como da servidora Flávia Bernardo Chagas, técnica de laboratório de Biologia, além da bolsista do projeto, Jéssica Andressa da Rosa, acadêmica de Educação do Campo e de outros docentes do curso.

Após esta etapa será realizado um curso para formação de monitores que atuarão como voluntários na dinamização das ações da exposição para, em seguida, promover a visita de professores e alunos das escolas em que os licenciandos em Educação do Campo desenvolvem seus estágios.

O projeto de extensão também irá produzir um histórico da coleção de animais, com o objetivo de entender de onde eles vieram, quem realizou a taxidermia, quem procedeu a identificação dos mesmos, e quais eram os usos e funções que a coleção tinha no Seminário. “Realizaremos uma nova análise para confirmar a identificação dos animais, e estamos planejando ações futuras para ampliar o nosso acervo, como um novo curso de taxidermia no Campus para servidores e acadêmicos”, diz a professora Cherlei.

Segundo a docente da UFFS, o projeto corrobora para melhorar a qualidade do ensino na Graduação, e tem o potencial de aproximar a Universidade das escolas onde os licenciandos do curso realizam seus estágios. “Acreditamos que espaços educativos, como os propostos nesse projeto, são estratégias ricas para o desenvolvimento de atividades educativas, articulando professores da Universidade, da escola e licenciandos na produção de conhecimentos na área do ensino de Ciências da Natureza”, conta.

“Por meio desses espaços, por exemplo, é possível conhecer a paisagem; comparar seres e ambientes, percebendo suas relações e adaptações; estudar comportamentos; entender a história de ocupação do local, características culturais da sua população, a importância da sua conservação, entre outros aspectos”, aponta Cherlei.

A abertura da exposição para a comunidade regional está prevista para acontecer no mês de setembro. “Inicialmente será priorizada a visita de grupos de professores e de estudantes das escolas de Educação Básica que atendem estagiários do curso, já que temos uma parceria firmada com estas instituições e procuramos desenvolver um trabalho coletivo na formação dos licenciandos”, explica a professora da UFFS. “Contudo, teremos eventos abertos à visitação para a comunidade regional que serão divulgados oportunamente”.

O agendamento da visitação guiada deve ocorrer a partir de contato prévio com a equipe executora do projeto, através do e-mail [email protected].

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