Quando o “paraquedismo” atrasa uma cidade e região 

paraquedismo, na essência da palavra, é praticado por desportistas (paraquedistas) que saltam de aeronaves, ou lugares fixos (BASE jumping), fazendo uso de um paraquedas (invólucro contendo uma vela dobrada desenhada a desdobrar-se aumentando sua superfície de contato com o ar) para diminuir sua velocidade de queda, sendo possível realizar saltos de grandes altitudes sem sofrer danos mortais.

Muito bom isto no esporte, mas na política a coisa é bem diferente e tem resultados, muitas vezes, nada satisfatórios para uma cidade ou região, e nós estamos incluídos nesta situação há muitos anos, visto que não estamos elegendo alguém da gema eleição após eleição. A causa disso, justamente os paraquedistas políticos.

Este é um tema latente nas rodas de café como nas de política, ou seja, é como uma ferida que não cura, mas abre uma cicatriz enorme, visto seu estrago. Lembro bem de quando voltei para Erechim, lá pelos idos de 1994, após me formar em jornalismo e permanecer mais alguns anos trabalhando com jornais independentes em Pelotas que, em determinado debate político realizado no Salão de Atos da Universidade Regional Integrada, a imprensa local teve a oportunidade de sabatinar os então candidatos.

Lembro bem de cada momento e de cada pergunta, aliás sempre que me encontro com o hoje presidente do Tribunal de Contas Iradir Pietroski caímos na risada pelas perguntas feitas e as respostas dadas naquele momento. Uma delas, da minha parte, a um ex-prefeito que se lançava como Deputado Estadual lancei a seguinte pérola: “o senhor, como candidato paraquedista ……..”, este termo o deixou tão bravo que foi meio desconfortante, principalmente porque contestava o fato de um jornalista que acabara de chegar na cidade não teria a capacidade de questioná-lo sem conhecer seu trabalho com maior profundidade.

Assim, desta forma, o termo paraquedista é latente há muitos anos em Erechim e região, visto que nesta caminhada junto a imprensa local, como no Legislativo, por onde estive durante quinze anos e seis meses, sempre tivemos, de quatro em quatro anos, a oportunidade de entrevistar como falar com candidatos, homens e mulheres, dos mais diferentes pontos do Estado buscando votos e que, muitos, não na sua maioria, após eleitos praticamente somem do mapa. Muitos chegam com a beleza, outros com a simpatia, alguns através do poderio econômico, outros sindicalistas, agricultores, jogadores de futebol, protetores dos animais, dos mais velhos e dos mais carentes. Trazem suas bandeiras, espalham sua simpatia e abocanham os votos, alguns poucos, outros muitos, mas no somar tira a oportunidade de um candidato local vir a se eleger, seja para Estadual ou para Federal.

Mas como mudar este processo que se parece irreversível desde que não tivemos mais representantes locais a exemplo de Waldomiro Fioravante, Girardello, Magarinos, Taqques outros tantos que lutaram essencialmente por Erechim e região do Alto Uruguai? Difícil a resposta? Não, é tão fácil que se torna difícil, pois passa por uma mudança de pensamento, de sair do micro para o macro, de se pensar grande, de se pensar em uma cidade que está longe de tudo e que tem que, através de suas administrações, mendigar anos após anos por verbas e Emendas Parlamentares que na maioria das vezes é cobrada com alto preço, o voto.

Devemos mudar nosso pensamento e esquecer as picuinhas políticas ou pessoais para que tenhamos novamente um ou mais deputados que podemos chamar de nosso, da gema, amigo da gente, da terra. Aquele que nós sabemos a sua origem, seu passado, sua vida na sociedade, o que pensa, como age e, principalmente, o que fará por Erechim. Há a necessidade de mudar o pensamento de que as Emendas Parlamentares sejam a obrigação de votarmos neste ou naquele candidato, muitas vezes por verbas tão irrisórias se pensarmos no montante que receberíamos tendo um candidato local.

Temos que mudar o pensamento de que se este é de tal partido não vou votar, ou até mesmo o fato, ridículo, mas já aconteceu por bandas erechinenses, este é bonitinho, a mulherada vai votar em peso, esta é uma gata, a moçada vai votar certo. A vida política e pessoal é meio que deixada de lado, compra-se o presente, mas só vê a embalagem, nunca o que tem dentro, uma espécie de Kinder ovo na política. “Báh, não era esse o brinquedo que queria”, daí é tarde, tem que esperar mais quatro anos e o bicho pega.

Muito importante neste processo de garantir um candidato nosso também passa pelas famílias e escolas momento em que pode trabalhar o voto consciente aos 16 anos de idade. São milhares de votos latentes que podem, e muito, ajudar a eleger um representante local, como desde agora ensinar a prática da política e o que isto é determinante para o progresso de uma cidade ou região.

Nesta eleição temos a grande oportunidade de votarmos localmente visto o grande número de nomes que ora estão se apresentando como pré-candidatos nos mais diferentes partidos e pensamentos. É visível que temos a faca e o queijo para que Erechim, após muitos anos, tenha seus candidatos, que eleve Erechim como ela merece, que possa fazer o possível e o impossível para que nos tornemos, novamente, a grande mãe do Alto Uruguai gaúcho, não somente no tamanho, nas na pujança, na oportunidade de novos empregos, na criação de novas indústrias, na melhoria da qualidade de vida da nossa gente. Votemos então, mas conscientes da importância que este ato pode resultar nos próximos quatro anos.

 

Carlos Alberto da Silveira – Jornalista e formando em História

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