Na Frinape, UFFS apresenta projetos para o futuro de Erechim

Mais do que um local de divulgação institucional, estande da Universidade chama a atenção de visitantes para assuntos como produção de biodiesel e soluções arquitetônicas e urbanísticas para a região

Inovação e tecnologia foram a tônica das palestras realizadas pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim na última sexta-feira (9) na Frinape. Os temas abordados dialogam com as atrações do estande da Universidade, disponível para visitação até o dia 18. Na semana passada, quem acompanhou as ações dos docentes e egressos da Instituição pode conhecer um pouco mais do que é produzido no Campus.

A reutilização de resíduos foi o grande tema levado pelo curso de Engenharia Ambiental e Sanitária e também pelo Mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental, conforme explica a professora Clarissa Dalla Rosa: “Esses projetos que estão na Frinape têm em comum o uso dos resíduos para um fim mais nobre. Hoje destinamos muitos resíduos para aterros sanitários ou mesmo de forma inadequada”, comenta a docente. “A ideia é trazer esses resíduos para um caráter de geração de energia e de aproveitamento de material.”

São três os projetos desta temática que estão no estande da UFFS. O primeiro utiliza resíduos da areia de fundição para construção de base asfáltica. O segundo também trabalha com essa areia, mas desta vez, na descoloração de efluentes. Por último, há um trabalho que utiliza gordura residuária de indústrias para a produção de bioediesel.

Sobre este último, Clarissa explica que, hoje, a matriz energética para a produção do biocombustível é, basicamente, o óleo de soja. “Nacionalmente, mais de 70% do biodiesel é produzido a partir do óleo de soja, que é uma commodity cara. É por isso que pensamos nos resíduos, especialmente na gordura dos efluentes frigoríficos. Vamos pegando esses resíduos, caracterizando as cargas ácidas e adequando o processo produtivo para o biodiesel”, fala a docente. “Conseguimos competir de uma forma mais vantajosa em relação a preço. Primeiro, por conta de o substrato ser um resíduo, não há custos. Segundo, deixamos de gastar com o tratamento. Exclui-se todo o impacto ambiental negativo”, pontua Clarissa. Quem visitar o estande da UFFS na feira poderá acompanhar como ocorre esse processo.

Já o projeto sobre remoção de corantes de efluentes é explicado por Rafaela de Maman, acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental. “Realizamos o tratamento do corante de uma indústria têxtil focando na parte ambiental, que seria utilizar um resíduo (escória de ferro) que iria para o aterro sanitário”, explica a aluna. “A quantidade de resíduos que vai para o aterro é muito grande. São toneladas e toneladas que não são utilizadas para nada.”

A colega Suellen Ferrazzo falou sobre o outro projeto. “Aqui a ideia é utilizar a areia de fundição de ferro de uma indústria daqui de Erechim. Essa indústria produz mensalmente 200 toneladas para os aterros. Utilizamos essa areia como base e sub-base para pavimentos asfálticos, substituindo a areia natural, que é um recurso natural. Deixamos de encaminhar todos esses resíduos para o aterro e também deixamos de utilizar um recurso natural”, enfatiza Suellen.

Outro projeto que está no estande da UFFS é um mostrador que monitora poluentes atmosféricos através de uma plataforma Arduino. Segundo o acadêmico Elvis Prestes, do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, com este amostrador não é preciso ir ao laboratório para fazer todas as análises químicas necessárias para se obter os dados. “O amostrador permite conhecer a qualidade do nosso ar a partir de diversos sensores que captam a presença de algum poluente atmosférico”, diz Elvis. “O benefício do projeto é este: quantificar os poluentes para saber como está o ar aqui em Erechim, verificando se a legislação está sendo respeitada pelas indústrias e pelos automóveis”, conta. A previsão é de que até o final do ano alguns amostradores sejam colocados em pontos da cidade de Erechim.

A temática ambiental das atrações da UFFS na feira também inclui projetos do curso de Arquitetura e Urbanismo pensados para o município de Erechim. No estande, é possível selecionar os projetos em um tablet e vê-los projetados em uma tela na parede. Na sexta-feira, um bate-papo com egressos do curso reuniu o público do Salão da Inovação, sob mediação do professor Vinícius Linczuk. Entre os trabalhos foram apresentados projetos de reativação do complexo aeroportuário de Erechim, contemplando terminal de passageiros, terminal de cargas, oficinas de aeronaves, mirantes, etc. Já o arquiteto e urbanista Cleber Scanagatta, por exemplo, apresentou aquele que foi seu trabalho final de graduação: uma proposta de centro educacional e social para a área próxima aos bairros Zimmer e Florestinha. O projeto inclui áreas de lazer, uma escola-parque, quadras, refeitórios, etc.

Docente do curso de Arquitetura e Urbanismo, o professor Luís Eduardo Modler fez a demonstração de uma “viga-vagão”, ferramenta pedagógica capaz de vencer um vão de determinada estrutura. Trata-se de uma viga de madeira de eucalipto trabalhada na disciplina de Canteiro Experimental. “A disciplina está inserida no curso para estimular no aluno o caráter experimental na formação do arquiteto”, diz Modler. “Tentamos aumentar o repertório do acadêmico para as soluções de problemas que existem na profissão. Trabalhamos a questão da inovação no sentido de fazer com que o aluno pense em soluções diferentes.”

Do curso de Agronomia, o professor Gismael Francisco Perin também palestrou na Frinape. Abordou as tecnologias disponíveis na agricultura. “A demanda por alimentos no mundo aumenta cada vez mais, o que acarreta na necessidade de se produzir pelo menos 50% a mais do que é feito hoje. Temos dois caminhos: aumentar a área ou aumentar a produtividade”, disse. “Devido às pressões ambientais, a primeira alternativa é mais complicada. A segunda, por sua vez, tem a ver com tecnologia e inovação. Quem adota as tecnologias são os inovadores, e a tecnologia só é consolidada se adotada pela maioria.” Segundo o docente, tecnologia tem que diminuir tempo, esforço e custo para que seja realmente eficaz.

Outra atração do estande da UFFS que está dando o que falar é uma caixa de areia interativa. Trata-se de um projeto que visa facilitar a compreensão de topografia, mudanças de relevo, movimentações de terra, cursos de água entre outros elementos relevantes para a compreensão de paisagens e terrenos. Conforme o visitante mexe na areia, luzes projetadas em cima da caixa auxiliam no entendimento e visualização dos relevos. A atividade tem chamado a atenção dos visitantes, principalmente de estudantes e professores de escolas da região.

As atrações da UFFS – Campus Erechim na Frinape seguem até o dia 18, último dia da feira. Na terça-feira (13), o diretor Anderson Ribeiro participa de um debate com o tema “Acesso ao Ensino Superior, em busca de uma educação emancipadora” às 19h, no 1º Fórum de Desenvolvimento realizado pelo jornal Bom Dia. Participam também Arnaldo Nogaro, reitor da URI, e Eduardo Predebon, diretor do IFRS – Campus Erechim.

Também na terça, às 19h30, a UFFS será uma das instituições agraciadas com a Comenda Boa Vista do Erechim – Centenário, que será entregue pela Câmara de Vereadores em sessão solene na Frinape.

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