Comportamento no trânsito, uma forma insustentável de viver!

Nessa coluna, quase sempre escrevi sobre temas ligados ao meio ambiente, agricultura e sustentabilidade. Mas, nessa ocasião escreverei sobre o trânsito. O comportamento dos motoristas no trânsito revela algum grau de educação, finese e empatia pelo cuidado e respeito pelo outro. Ou revela de igual modo, grosseria, apressamento e a irritação que culmina em agressividade. Essa segunda dimensão, é muito mais fácil de ser observada.

Hoje vou explorar outras dimensões da nossa vida urbana, insustentável e perigosa. Moro em Erechim há cerca de dois anos e pretendo continuar por aqui. Contudo, nesse período, quase fui atropelado duas vezes, e de leva, em cima da faixa de segurança. Talvez meu comportamento e meu inconsciente ainda preso em outro lugar. Morei por dez anos em Brasília, e por lá que tem mais de dois milhões de veículos, e apesar desse montão de carros e da má fama da cidade, (acredito que deve ser muito mais em virtude de um determinado público, que se muda para lá a cada quatro anos), a faixa de segurança é muito respeitada.

E para aqueles que gostam de acelerar e desrespeitam os limites de velocidade das vias, há centenas de radares que salgam os bolsos dos condutores diariamente, por meio de milhares de multas, que por vezes, somam o valor dos veículos. E essa poderia ser uma iniciativa a ser pensada para as avenidas de Erechim, em que tenho observado muitos apressadinhos dirigindo como doidos!

Claro que no caso de Brasília, o respeito a faixa de segurança foi conseguido com muita campanha de conscientização, fiscalização rígida e contínua, e pela participação da população que incorporou a prática como uma coisa boa para a cidade. Isso prova que é possível promover mudanças (para melhor), quando se quer, e quando o tema importa!

É um fato que a maioria dos brasileiros não é muito afeito a leis, é só uma sugestão e nada mais, quando ela deve aplicada ao comportamento pessoal. Para muitos ela vale para os outros, mesmo que o descumprimento delas, cause a morte ou ferimentos à outras pessoas! Em 2018 foram mais de 48 mil mortes no trânsito e milhares de feridos, mas parece que isso não é argumento para uma reflexão honesta.

O respeito faixa de segurança e ao pedestre, por aqui na maioria das vezes, é uma sugestão. Exceção feitas aquelas faixas de segurança que estão na Maurício Cardoso e em algumas da Avenida Sete, e mesmo assim, os motoristas não esperam você atravessar a rua por completo, pois parecem que querem chegar em primeiro lugar sabe-se lá onde. Nas outras partes de cidade, mesmo que esteja na faixa, é melhor tomar cuidado, muito cuidado!

Outro dia, fui renovar minha carteira de motorista e havia uma pergunta no questionário sobre o que poderia ser feito para melhorar o trânsito. Sugeri companhas permanentes (nunca vi por aqui), fiscalização regular (quase inexistente) e educação de verdade (isso ajuda muito). Minha surpresa aumentou quando um instrutor de autoescola permitiu que o aprendiz parasse o veículo em cima da faixa de segurança e bloqueou a passagem, enquanto eu atravessava a rua. Alertei que devia orientá-lo a não fazer isso, fui xingado, eu estava errado em cobrar!

Essas pequenas coisas, me despertam alguma irritação. Não estou sugerindo para fazer a revolução e derrubar o governo, seja ele municipal, estadual ou federal. Estou pedindo apenas para respeitar um faixa de segurança, e proteger o pedestre que é a parte mais frágil. Me irrita mais ainda na medida em que isso parece não incomodar ninguém, ou incomoda pouca gente!

Embora, reconheça que atropelamentos não se devam responsabilidades somente aos motoristas, mas em cima da faixa de segurança é imperdoável!

Por Eliziário Toledo

Sociólogo, mestre em Desenvolvimento Rural (PGDR/UFRGS – 2009), doutor em Desenvolvimento Sustentável (CDS-UnB – 2017), mestrando em Ciência e Tecnologia Ambiental (UFFS – 2018).

 

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