Empregos em crise, desespero, salários atrasados e busca por mudanças

Engana-se quem pensa que as coisas vão muito bem obrigada, no que se refere às vagas de trabalho. Diria que vivemos a era do “emprego em crise”, onde o mercado de trabalho ainda sofre com a retração da economia. Nos últimos anos, os empregadores tiveram de reduzir custos, priorizar projetos, reestruturar setores e, os respingos destas condições são notórios nas vidas dos cidadãos erechinenses. Neste ano falasse em melhora da perspectiva econômica, condições de retomada, expansão de atividades e novas vagas, mas na prática não é bem assim. Percebo três momentos distintos: desempregados desesperados em busca de uma oportunidade, funcionários com salários atrasados sem perspectiva de receber em dia e aqueles que “atiram” para todos os lados, buscando recolocação no mercado. Já por parte de algumas empresas, as principais reclamações são falta de iniciativa, persistência, colaborativismo e saber trabalhar em equipe.

 

Fila gigantesca e a busca incessante por emprego

O ditado popular “Deus ajuda quem cedo madruga”, traduz o que ocorreu na última quinta-feira (3), logo nas primeiras horas da manhã, quando uma fila enorme formou-se na Rua Itália, em frente ao Sistema Nacional de Emprego (SINE) e Av. Presidente Vargas. Centenas de pessoas madrugaram na rua na busca por emprego. A oportunidade era para a rede de Supermercados Passarela que nos próximos meses inicia as atividades na Avenida José Oscar Salazar, Bairro Três Vendas. O anúncio foi postado no Facebook no dia 26 de abril: “ATENÇÃO, Erechim-RS! Fique ligado que o #PassarelaSupermercados vai iniciar o processo seletivo para as vagas disponíveis em nossa nova loja. Interessados favor procurar o SINE de Erechim, localizado na rua Itália, 299, partir do dia 03/05/18. Venha fazer parte da família Passarela”. Dia 03 de maio chegou e conforme o Coordenador do Sine, Gabriel Jevinski, mais de 300 fichas foram entregues. A cada meia hora Jevinski ia até o final da fila e o número de pessoas aumentava. Algumas aguardavam ansiosamente desde as 03h30 na fila.

 

“O jovem aprendiz ou quem nunca trabalhou está sofrendo mais”

A fila gigantesca em busca das 20 primeiras vagas para cargos de gerência parece que contrariava os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), que apresentou saldo positivo na geração de postos de trabalho no mês de março, com a criação de 279 novos empregos com carteira assinada. Conforme o coordenador do SINE, a Rede Passarela Supermercados irá disponibilizar de 160 a 180 vagas e com o tempo, os demais candidatos selecionados serão chamados. Para Jevinski “Erechim está passando por uma série de dificuldades, muitos são os desempregados, a prova disso foi à fila imensa que se formou na última semana”, destacou. Ainda comentou que atualmente a grande dificuldade se refere aos jovens, que não tem oportunidade de trabalho e todas as vagas exigem experiência. “O jovem aprendiz ou, aquela pessoa que nunca trabalhou e necessita da primeira oportunidade, está sofrendo mais, não tirando a necessidade de emprego dos demais”, finalizou. Hoje, o SINE oferece mensalmente 30 vagas, em contrapartida, muitos seguros desempregos são encaminhados semanalmente.

 

Sem emprego, sem salário e sem perspectivas

O segundo momento deste contexto são os trabalhadores que há mais de dois anos recebem “pingadinho” e há meses não tem salário. Essa constatação faz parte do relato de funcionários da construção civil do município. João tem 30 anos de experiência como pedreiro e ajudante, e não esconde a preocupação com relação ao setor. “A empresa na qual trabalho faz mais de dois anos que paga pingado e há dois meses não enxergo a cor do dinheiro. Simplesmente não tem serviço, a construtora não dá baixa na carteira e também não encontra solução para o problema”, disse. O pedreiro comentou que a categoria sempre foi rendativa, era possível viver bem e manter a família. “Hoje tudo mudou, a queda de serviço abriu espaço para os bicos. Eu tenho a casa paga e filhos crescidos, mas vejo o quanto é dura a realidade dos meus colegas. Muitos pagam aluguel, tem mais de uma criança pequena e enfrentam muitas dificuldades”, afirmou.

 

“Atirar” para todos os lados ou comprometer-se com o novo emprego?

Acredito que não exista uma estratégia pronta para buscar emprego, mas com certeza a melhor alternativa não é “atirar” para todos os lados. Em conversa com a proprietária de um restaurante, percebi o quanto tem sido difícil fidelizar funcionários. “Anos atrás, não tanto tempo assim, os profissionais eram rigorosamente comprometidos com o trabalho e empresa. Meu negócio é exemplo disso, minha cozinheira está comigo a mais de 30 anos e os demais funcionários vinte e poucos. Mas, agora chegou o momento de eu contratar uma nova pessoa e o desafio tem sido diário. Os candidatos mal sabem o que querem. Estou a meses tentando ensinar três candidatos, mas por vezes percebo falta de interesse, vontade de aprender, de sair da zona de conforto”, finalizou a proprietária.

 

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