Memórias da Aldeia – A Felicidade de uma geração

Por Enori Chiaparini

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Em 30 de abril de 1998 circulou no jornal A Voz da Serra, de Erechim, o excelente caderno ‘Erechim Mulher’, produzido pela jornalista Vera Daisy Barcelos, que dedicou ao Café Grazziotin duas belas e substanciosas páginas. Está faltando uma obra, um TCC, uma tese de doutorado sobre a trajetória de uma das páginas sociais mais belas de Erechim. Temos muitas pessoas vivas que foram frequentadoras do Café e testemunhas oculares dos fatos. Ainda é tempo de reconstituir essa preciosa página que está na memória dos erechinenses. Fica o convite para os pesquisadores e jornalistas. Entre os inúmeros depoimentos que consegui registrar, destaco aqui o relato do saudoso Helly Parenti, que assim se manifestou: “O Café era tão democrático que as composições das mesas da Câmara de Vereadores saiam prontas dali. Tenho belas lembranças. Foi um lugar onde se travaram as maiores batalhas políticas e esportivas. Muitos romances ali começaram. O Café foi palco do primeiro flerte, do primeiro olhar, de onde muitos namoros ali se concretizaram”, relata Helly – que, entre os muitos shows, lembra de uma apresentação do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, na Marquise do Café, na Terceira Festa Nacional do Trigo, em novembro de 1953. A professora Rejane Polasek, entre as tantas lembranças, recorda as exibições do inesquecível músico erechinense Oswaldo Engel.

Uma das características básicas do Café Grazziotin era a sua subdivisão interna. Logo na entrada era possível identificar os grupos rivais da cidade. À direita ficava a turma do Ypiranga e do PTB, enquanto que, à esquerda, concentrava o pessoal do Atlântico e do PSD. A frente do Café, estava reservada para as observações. Em entrevista concedida por Clodoveu Grazziotin (filho de Anita), em 22 de fevereiro de 1990, em sua residência, ele me relatou:

“Anita Gollin Grazziotin (Dona Anita), nasceu em Antônio Prado, em 10 de maio de 1885, filha de Vicente e Regina Gollin. Veio para Erechim, no ano de 1919 juntamente com seu esposo, Stefano Grazziotin, estabelecendo-se, inicialmente, no comércio com uma loja de secos e molhados, mais tarde com um hotel, que foi consumido pelo fogo. Depois compraram o Hotel Internacional, na Av. Maurício Cardoso, ficando ali por um bom tempo. Em 26 de novembro de 1942, faleceu o esposo de Anita, Sr. Stefano, um dos fundadores do Hospital de Caridade e da Sociedade Italiana, Carlo Del Prete. Dona Anita, porém, não desanimou e iniciou o Café Grazziotin, que durante 25 anos, desde 1946, foi o centro das atenções de toda a vida social de Erechim, fechando as suas portas em 15 de agosto de 197l.

Anita teve três filhos. Deolinda Grazziotin Almeida, Regina Grazziotin e Clodoveu Grazziotin. Ao falecer, em 18 de abril de 1964, Dona Anita deixou um rastro de ternas saudades sentidas por todos que a conheceram, legando uma das mais belas e saudosas páginas sociais dos Bota Amarela.

Por Enori Chiaparini

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