Futuro de Erechim, e do Alto Uruguai, passa pelas mãos de Aurora e Alfa

Para seu desenvolvimento, região depende do setor primário. Nem todos acordaram para isso.Vem do oeste catarinense, a partir da força do campo, a perspectiva de um futuro melhor para Erechim e região Alto Uruguai, com geração de empregos e riquezas.

Reconhecendo isto, é fundamental que se estreite, cada vez mais, a relação do poder público, e do próprio setor empresarial, com a Central de Cooperativas Aurora Alimentos e a Cooperalfa. Nesta esteira, num caminho de mão dupla, é vital uma aproximação maior de ambas instituições com a comunidade regional, criando sinergia e uma relação de confiança (que ainda precisa ser recuperada).

Tanto a Aurora quanto a Alfa (uma das 12 cooperativas filiadas à Central Aurora) chegaram ao Alto Uruguai depois do ‘estrago’ feito por ex-dirigentes da Cotrel, que ao depenarem a ‘Grande Família’, abriram espaço para novos players no mercado local.

Embora inicialmente traumática, a troca de um perfil de gestão ultrapassado (Cotrel) por modelos de liderança mais dinâmicos e eficientes vem trazendo bons resultados ao produtor local, potencializando aquilo que o Norte do RS sabe fazer de melhor: produzir alimentos/proteínas – que, felizmente, seguirão (cada vez mais) demandados pelo mundo. Essa, aliás, é a salvação da lavoura do próprio Brasil, quando se observa o quadro geral e os parcos investimentos em educação e tecnologia.

Em 2017, Aurora comprou os frigoríficos de aves e suínos da Cotrel por R$ 108 milhões

Novos frigoríficos: mais emprego e renda

A Aurora, que chegou a Erechim em 2005 com parceria de prestação de serviços envolvendo os frigoríficos da Cotrel, é responsável direta por 2,5 mil empregos (mais de R$ 52,3 milhões em salários e R$ 11,6 milhões em encargos sociais) – que serão multiplicados com a ampliação dos frigoríficos de suínos e aves, previstos para 2018. Só em relação ao abate de suínos, num investimento de R$ 100 milhões, a empresa estima saltar das atuais 1,6 mil cabeças/dia para 2,8 mil. Nas aves, a previsão é alcançar 140 mil abates/dia, contra os 90 mil atuais. Os investimentos, além mil novos empregos, devem agregar valor à produção, engordando o caixa da prefeitura de Erechim a partir do acréscimo de R$ 2,4 milhões no retorno de ICMS.

Alfa projeta faturar R$ 300 milhões no RS em 2018

Por sua vez a Alfa que botou os pés na região Alto Uruguai no raiar de 2017, com o recolhimento de leite, e mais tarde avançou para o armazenamento de grãos, ao adquirir por R$ 44 milhões as Sementes Estrelas, projeta chegar aos 2 mil associados no fim de 2018 (hoje tem 1.184), com faturamento estimado de R$ 300 milhões. Conforme o 1º vice-presidente da cooperativa, Cládis Jorge Furlanetto, negócios de ocasião também não estariam descartados – como a eventual compra em leilão da unidade armazenadora da Cotrel, e o arrendamento de supermercados em Erechim e Gaurama.

Como nasceu a Central Aurora

Em 1969, 18 homens representando oito cooperativas do oeste de Santa Catarina se uniram buscando melhorar as condições dos produtores de suínos e conseguir mais espaço no mercado. Desse gesto nasceu a Aurora, a maior cooperativa produtora de alimentos do Brasil e referência mundial na tecnologia e processamento de carnes.

Em seu site, a marca sustenta que através da cooperação busca equilibrar objetivos empresariais com o compromisso social – baseado na política da coletividade e na partilha dos resultados. A Aurora, com R$ 8,9 bilhões de receita, é hoje a segunda maior cooperativa central do Brasil. Formada por 12 cooperativas filiadas (a Cotrel deixou o ‘time’ recentemente), conta com 72 mil famílias associadas, mais de 26 mil funcionários da Aurora Alimentos e 8 mil empregados das cooperativas filiadas ao Sistema.

Com gestão participativa, atua na industrialização e comercialização de carnes suínas, aves, lácteos, massas, vegetais e suplementos para nutrição animal. As unidades industriais, comerciais, granjas e distribuidores estão espalhadas em todo o Brasil.

Fim dos intermediários marcou começo da Cooperalfa

A trajetória da Cooperalfa iniciou em 29 de outubro de 1967 com a fundação da Cooperativa Mista Agropastoril de Chapecó LTDA – CooperChapecó.

Apesar das boas perspectivas, resgate da confiança abalada em razão do episódio Cotrel ainda carece de novos – e contínuos – avanços

A ata de fundação foi assinada por 37 agricultores do Oeste catarinense. Aury Luiz Bodanese liderou a fundação da cooperativa, incentivado pelo então gerente do Banco do Brasil em Chapecó, Setembrino Zanchet, além de outras lideranças. Na época, a cooperativa representava a solução para os problemas de venda e escoamento da produção de grãos e suínos, remuneração mais justa e valorização do trabalho de pequenos e médios produtores rurais. A ideia era evitar as negociações com intermediários particulares.

Saiba mais:

# Em 2017 a Cooperalfa (maior cooperativa singular de SC) faturou, a partir de suas 24 atividades, R$ 2,8 bilhões (5,5% a mais do que em 2016). No fim de fevereiro os associados aprovaram por unanimidade o relatório de gestão. Estão capitalizados R$ 223 milhões na cota-capital dos cooperados.

# Estima-se que a Alfa abrace, em até cinco anos, cerca de 60% dos associados da Cotrel. Atualmente, cooperativa tem 19 mil cooperados – 76% deles pequenos produtores.

Curiosidade: o legado de Aury Luiz Bodanese

O idealizador e 1º presidente da Central Aurora é o mesmo homem responsável por, dois anos antes, fundar a CooperChapecó, hoje Cooperalfa. Trata-se de Aury Luiz Bodanese – um obstinado gaúcho de Barão de Cotegipe, nascido em 1934, e que nos deixou há 15 anos.

Aury Bodanese – fundador da Central Aurora e também da Cooperalfa- levava a sério o preceito ‘administrar é tomar decisões’

Por Salus Loch

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