Três irmãos, o mesmo curso: a história de Ariel, Franciel e Michael

Primeiras gerações formadas a partir da expansão do ensino superior público marcam a trajetória de 11 anos da UFFS

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) completa neste mês o seu 11º aniversário. Com campi nos três Estados da Região Sul, a Instituição segue transformando vidas nas comunidades em que atua. Um exemplo vem do norte do Rio Grande do Sul, onde a UFFS – Campus Erechim foi responsável pelo acesso ao Ensino Superior Público de três irmãos da família Biavati. Os nomes soam parecidos: Ariel, Michael e Franciel, todos formados no curso de Engenharia Ambiental e Sanitária. Naturais do município de Cacique Doble, eles são a primeira geração da família a ingressar (e concluir) um curso superior em uma Universidade Pública.

O trio tem cerca de dois anos de diferença. “O Franciel é de 1991, eu de 1993 e o Michael de 1995. Entramos em anos diferentes na UFFS: eu em 2011, Franciel em 2012 e Michael em 2013”, conta Ariel, o primeiro a ingressar na Instituição.

Desde o início do Ensino Médio, Ariel sonhava em fazer engenharia, porém, a opção pretendida era a mecânica. “A minha escolha pelo curso de Engenharia Ambiental se deu pelo diferencial inicial do curso que seria oferecido na UFFS, com uma opção mais voltada para a linha das energias renováveis, que posteriormente acabou passando, depois, a ser Engenharia Ambiental e Sanitária”, recorda.

Ariel ingressou na segunda turma do curso, quando a Universidade ainda engatinhava. “Na época a UFFS ainda era uma universidade nova, pouco conhecida, e acabei sabendo dela por meio de um primo. Ele havia comentado com meus pais sobre o processo seletivo que seria realizado, e deu a ideia de realizar a inscrição e tentar a sorte”, lembra. “Mesmo não indo muito bem no Enem do ano anterior, resolvi arriscar, e acabou que quando menos esperava recebi a notícia de que havia passado na terceira chamada para o curso.” Ariel acompanhou os anos iniciais da UFFS, quando o Campus Erechim ainda não tinha um lugar próprio para as atividades: “As aulas ocorriam em vários locais espalhados pela cidade”, recorda. Morando sozinho pela primeira vez, em uma cidade nova e maior que a cidade natal, o então acadêmico conciliava o estudo com alguns bicos, que auxiliavam seu sustento.

Um ano após o ingresso de Ariel, foi a vez de Franciel entrar na UFFS: “Inicialmente tinha a intenção de realizar outro curso de engenharia, porém, naquele momento, tinha somente universidade particular e o Ariel já estava em uma instituição pública. Como a Engenharia Ambiental era o curso que mais se assemelhava ao de minha intenção, acabei aderindo, visto que ingressaria no ensino público e teria o auxílio do meu irmão caso necessitasse”. Ariel conta que ficou feliz com a escolha do irmão: “Foi a possibilidade de ter novamente a companhia dele, morando juntos. Também surgiu a ideia de, após formados, de talvez trabalhar juntos em um negócio próprio.” Ainda que não fosse sua primeira escolha profissional, Franciel gostou da área. “Acabei me identificando com algumas disciplinas e com a expectativa ligada ao mercado de trabalho, que me fizeram dar continuidade e concluir a formação”.

Depois do ingresso de Ariel e Franciel, foi a vez de Michael entrar na UFFS, no mesmo curso. “Eu via as experiências dos meus irmãos que já estavam lá. A vontade inicial era cursar Engenharia Elétrica, porém, surgiu esta oportunidade em uma Universidade Federal e, como já havia informações desta, juntei o útil ao agradável e fiz a escolha pela Engenharia Ambiental e Sanitária”, conta. Franciel ficou surpreso. “Também não era o foco inicial dele, mas foi dando sequência. Provavelmente ocorreu com o Michael a mesma situação ocorrida comigo”.

Os irmãos contam que chegaram a cursar algumas disciplinas juntos. “Isto facilitava o entendimento pelas trocas de experiência. Foram vários trabalhos juntos”, conta Michael. “Alguns professores se espantavam com os três irmãos fazendo o mesmo curso. Mas foram todos se acostumando com isto e virou mais uma resenha entre os professores e amigos em comum sobre nós três”, diverte-se.

Os irmãos Biavati fizeram, todos, colação de grau em gabinete. Franciel foi o primeiro, em março de 2018. Depois, Michael, em agosto do ano seguinte. Já Ariel fez a colação em julho deste ano, presencialmente – em meio à pandemia de Covid-19, a cerimônia seguiu todos os protocolos de segurança.

Já formados, os irmãos seguiram trajetórias profissionais distintas. A ideia de montar um negócio em família, porém, não foi abandonada. “Já analisamos várias formas de iniciar algo juntos, porém, como cada um se formou em um ano diferente, tomamos rumos distintos, cada um conseguindo um trabalho diferente e com uma distância considerável”, diz Michael. “Estamos aproveitando o máximo de experiências para um dia voltarmos e abrirmos algum negócio em família.”

11 anos

A Universidade Federal da Fronteira Sul chega ao seu aniversário de 11 anos colecionando histórias como a dos irmãos Biavati por meio da oferta de cursos superiores gratuitos, além das demais atividades de ensino, pesquisa, extensão e cultura.

No Campus Erechim são ofertados os cursos de Agronomia, Arquitetura e Urbanismo, Ciências Sociais, Engenharia Ambiental e Sanitária, Filosofia, Geografia, História, Interdisciplinar em Educação do Campo: Ciências da Natureza e Pedagogia. O curso de Ciências Biológicas é a novidade para 2021.

O Campus ainda tem as especializações em Gestão Escolar e em Processos e Produtos Criativos e suas Interfaces. Completam a lista quatro mestrados: Mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental, Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas, Mestrado Profissional em Educação e Mestrado em Geografia (este último ofertado em parceria com o Campus Chapecó). Saiba mais em www.uffs.edu.br.

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