Memórias da Aldeia – Já vimos esse filme

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os Bota Amarela ficaram privados de gasolina, sal e querosene. Os médicos iam para o Hospital de aranha (charretes). Um pioneiro me confidenciou que no racionamento de gasolina houve um verdadeiro pandemônio, isto é, estocavam (escondiam) a gasolina e depois vendiam por preços exorbitantes na calada da noite.
Outro fato marcante e desagradável que ocorreu em todo o Brasil e em José Bonifácio (1938-1944) foi a proibição de falar línguas estrangeiras, especialmente as línguas italiana (vêneto) e alemã.
O presidio de Erechim, nessa época, estava localizado no primeiro piso do prédio da prefeitura municipal. Muitos pioneiros foram trancafiados no xilindró porque só sabiam falar a língua de sua Pátria.
Outro grande sofrimento ocorria com quem dispunha de um aparelho de rádio. Na Av. Sete de Setembro, o primeiro a possuir um rádio a válvula foi o Sr. Marcos Angonese. Então acontecia que os amigos iam na sua residência escutar as notícias da Guerra e, é claro, como bons italianos, torciam para a Itália. Esse senhor me contou coisas do “arco da velha”…
E assim com os de origem alemã, os de origem italiana frequentemente se reuniam para um brodo e depois as cantorias corriam soltas madrugadas afora.
Só por isso pintava enguiço na jogada. Havia recolhimento de armas e rádios. As autoridades apenas cumpriam ordens do Estado Novo (que era um regime de exceção) imposto pelo presidente Vargas.
À época, o padre Benjamim Busatto foi um líder inconteste. Se deslocou à capital do Estado e conseguiu solucionar a falta de sal e querosene para os agricultores.
Cada época histórica tem seus enigmas, suas agruras, seus limites e seus fantasmas… Quanto menos apareçam melhor.

 

Por Enori Chiaparini

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