Saara, o ‘Grande Deserto’

Em árabe, Saara significa o grande deserto – e, embora seja o maior ‘deserto quente’ do mundo (é do tamanho da China, por exemplo), está atrás, em extensão, da Antártica e do Ártico.

Curiosidades a parte, a verdade é que contemplar  o Saara, e suas dunas, é despir-se de orgulhos e outros sentimentos menores, pois, diante da imensidão deste ‘mar de areia’ -que corta todo o Norte da África, ao longo de 9 milhões de km – podemos ver quão pequenos nós, seres humanos, somos (pequenos e mesquinhos, muitas vezes).

Para se chegar ao Saara Marroquino, mais precisamente à cidade de Merzouga – de onde escrevo estas linhas -, há diversos opções, seja via terrestre ou aérea (com pacotes, aliás, que podem ser adquiridos já no Brasil).

Para quem quiser organizar as coisas por aqui mesmo, uma das alternativas mais comuns é a contratação de serviços turísticos a partir de Marraquexe – que fica a 560 km de distância. Em regra, entre ida e volta, o pacote dura 3 dias, e contempla  todos os bolsos. Há, ainda, opções bem legais partindo de Fez, a 463 km e de Ouarzazate, a 363 km. Ainda existe a opção do deslocamento sem a contratação de pacotes turísticos, que pode ser feito utilizando-se das rotas domésticos do sistema rodoviário local, com a companhia Supratours, ou locando um automóvel (de preferência 4×4).

Saiba mais:

# O deserto do Saara compreende parte dos seguintes países e territórios: Argélia, Chade, Egito, Líbia, Mali, Mauritânia, Marrocos, Níger, Saara Ocidental, Sudão e Tunísia. Atualmente vivem cerca de 2,5 milhões de pessoas na região do Saara, que também inclui parte da bacia do Rio Nilo, as montanhas Aïr, Hoggar, Atlas, Tibesti e Adrar des Ifoghas, e as subregiões do deserto da Líbia, do deserto da Núbia, do Ténéré e do deserto Oriental Africano.

# No dia 7 de janeiro de 2018 nevou na parte argelina do Deserto do Saara – fenômeno que chamou a atenção do mundo. Segundo a imprensa, esta teria sido a 3a vez em 40 anos que a neve deu as caras no deserto – as outras foram em 1979 e 2016.

# O Saara tem dois ‘trechos’, um deles é dominado por dunas arenosas (Erg, como aqui em Merzouga, no Marrocos). O outro bastante é pedregoso, chamado de Hamadas.

# No interior do Saara, existem alguns poucos e dispersos oásis formados devido ao afloramento de aquíferos subterrâneos, estando entre eles os oásis de Baria, Gardaia, Timimoun, Cufra e Siuá.

# No Saara não existem camelos. São dromedários  os animais que serpentearão com você pelas dunas do deserto.

# Além de ser extremamente seco, o Saara também é uma das regiões mais quentes do mundo. A temperatura média anual para o deserto é 30° C, embora durante os meses mais quentes as temperaturas possam passar dos 50° C, com a maior temperatura já registrada a 58° C em Aziziyah , Líbia. Para saber: Estes são dromedários (mães e filhos, aliás); no Saara marroquino não existem camelos, explicam os guiasExcursões com famílias vindas de todos os cantos do mundo são comuns – e mantém a economia local aquecidaO nascer do sol no Saara é para ficar guardado na memória.

Noites geladas, inclusive no verão

Se você escolher os meses de janeiro e fevereiro (inverno local) para visitar o Marrocos, prepare-se para o frio. Inclusive, no Saara. Particularmente em Merzouga, durante o dia, a temperatura até tem chegado aos 17 C, todavia, à noite, o termômetro vai a zero, ou menos do que isso. O detalhe é que, em relação à temperatura registrada nas madrugadas, inclusive no verão, o frio impera durante a noite. Isso ocorre porque o ar dos desertos, com sua baixíssima umidade, não consegue reter o calor recebido durante o dia. Normalmente, o vapor d’água em suspensão na atmosfera funciona como uma espécie de garrafa térmica, acumulando calor para a noite, explica a revista Mundo Estranho em reportagem.

Como o ar do deserto é muito seco, praticamente toda a energia térmica se perde após o pôr-do-sol. Além disso, a areia só absorve calor numa camada muito fina, o que faz o solo se resfriar em bem pouco tempo. É assim que, com o cair da noite, sem nenhuma reserva de calor, a temperatura pode desabar de tórridos 40 graus para siberianos 10 negativos.

Vento, senhor de mudanças

A maior parte do deserto do Saara é subdesenvolvido e apresenta uma topografia variada. A maior parte de sua paisagem tem sido alterada ao longo do tempo pelo vento e inclui dunas de areia, mares de areia, planaltos de pedra estéril, planícies de cascalho, vales secos e salinas. Cerca de 25% do deserto são dunas de areia.

Emi Koussi, o pico mais alto

Existem inúmeras cordilheiras dentro do Saara e muitas são vulcânicas. O pico mais alto encontrado é Emi Koussi, um vulcão de escudo que eleva-se a 3.415 m. É uma parte da faixa Tibesti no norte do Chade. O ponto mais baixo do deserto do Saara está na Depressão Qattera do Egito a -133 m abaixo do nível do mar.

Rio Nilo passa pelo Saara

A maior parte da água encontrada no Saara é sob a forma de córregos sazonais ou intermitentes. O único rio permanente no deserto é o rio Nilo que flui da África Central ao Mar Mediterrâneo. Outras águas no Saara são encontradas em aquíferos subterrâneos e em áreas onde esta água atinge a superfície. Como a quantidade de água e topografia varia de acordo com a localização, o deserto do Saara é dividido em diferentes zonas geográficas. O centro do deserto é considerado hiper-árido e tem pouca ou nenhuma vegetação, enquanto as porções do norte e do sul têm pastagens escassas, arbustos do deserto e às vezes árvores em áreas com mais umidade.

Plantas e animais

Devido às altas temperaturas e às condições áridas, a vida vegetal é escassa e inclui apenas cerca de 500 espécies. Estas consistem principalmente em variedades resistentes ao calor, à seca e àqueles adaptados à condições salgadas (halófitas), onde há umidade suficiente.

As condições difíceis encontradas no Saara também desempenharam um papel na presença da vida animal. Na parte central e mais seca existem cerca de 70 espécies animais diferentes, dos quais 20 grandes mamíferos como a hiena manchada. Outros mamíferos incluem Gerbil, raposa de areia e lebre do cabo. Répteis como a víbora de areia e o lagarto Varanidae também estão presentes.

Mais de 8 mil anos de ocupação humana

Estima-se que o homem habite o deserto do Saara desde 6000 aC. Desde então, egípcios, fenícios, bérberes, gregos e europeus estiveram entre os povos da região. A maioria das pessoas que vivem no Saara hoje são nômades – que se deslocam de região para região ao longo do deserto. Devido a isso, existem muitas nacionalidades e idiomas diferentes, mas o árabe é o mais falado. Para aqueles que vivem em cidades ou aldeias em oásis férteis, as culturas e a mineração de minerais como o minério de ferro (na Argélia e na Mauritânia) e o cobre (na Mauritânia) são indústrias importantes, permitindo o crescimento dos centros populacionais.

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 Erg Chebbi, as Dunas de Merzouga

O Erg Chebbi – também conhecido como Dunas de Merzouga – é um dos dois grandes conjunto de dunas (ergues) do deserto do Saara de Marrocos, com 5 km de largura máxima no sentido este-oeste e 22 km de comprimento no sentido norte-sul. As dunas mais altas chegam a ter 150 metros de altura.

O local é uma das principais atrações turísticas da região, e fonte de renda da população local.

Uma das atividades turísticas mais populares são os passeios em dromedários, que podem ser noturnos e incluem pernoite em tendas – com preços que variam de R$ 120 até R$ 350. Apesar de pequena extensão das dunas, há locais no interior em que se tem a sensação de que se está no enorme deserto de areia pois só se avistam dunas para onde quer que se olhe.

O Erg Chebbi está situado a sudeste do centro do país e cerca de 50 km da fronteira com a Argélia.

Durante os períodos mais quentes do ano, há marroquinos que sofrem de reumatismo que vão ao Erg Chebbi para serem enterrados até ao pescoço. Diz-se que isso cura a doença.

Em 2006, uma grande inundação perto das dunas destruiu várias casas e causou a morte a três pessoas.As famosas ‘areias vermelhas’ de Erg Chebbi

Deserto de Zagora

O Deserto de Zagora é mais árido e com menos dunas que Merzouga. A vantagem principal de Zagora é que está mais perto de Marraquexe, por isso é o lugar mais apropriado para fazer excursões curtas, de dois dias e uma noite. De Marraquexe até Zagora há uns 360 quilômetros de distância, um trajeto que leva cerca de 7 horas para ser percorrido. Como são feitas várias paradas, o passeio se torna interessante e não é tão pesado quanto poderia parecer.

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Gargantas do Todra

A 15 km da cidade de Tinghir – no meio do caminho entre Ouarzazate e Merzouga – estão os desfiladeiros mais conhecidos do Marrocos: os Gorges du Todra ou Gargantas do Todra. Localizado no vale do Todra, do lado oriental da cadeia de montanhas do Atlas, os desfiladeiros são compostos por impressionantes penhascos que chegam a atingir 300m de altura, separados apenas por 20 a 50 metros.

Entre os paredões corre o rio Todra e há uma estrada que o acompanha. Ao percorrer a estrada confinada entre rochedos, há quem diga ter tido a sensação de que poderia ser ‘engolido’, o que, particularmente, creio ser  um exagero – apesar da dramaticidade do local e seu entorno.

Dependendo da hora e da incidência do sol, as paredes do desfiladeiro assumem diferentes tons, do rosa ao laranja – garantindo um belo espetáculo visual. Amantes da escalada também fazem a festa pelas Gargantas do Todra. Definitivamente, vale a visita.Eis os desfiladeiros mais famosos do MarrocosHá quem diga ter a sensação de sufocamento ao se aproximar do local

Por Salus Loch

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