Construção de novo presídio ainda estaria aguardando sinal verde do Estado

Em menos de uma semana, agentes penitenciários lotados no Presídio Estadual de Erechim encontraram dois túneis, um ligava três celas e seria usado para uma fuga em massa, e ainda se pode citar as diversas vezes que apenados tentaram fugir serrando grades das janelas ou abrindo buracos no teto das celas. Frequentemente, tanto os agentes como os policiais militares que realizam a guarda externa, apreendem pacotes com drogas e celulares que são arremessados para dentro da penitenciária e há poucos dias, até uma banana de dinamite foi arremessada lá para dentro.

No presídio, a Susepe trabalha com déficit de efetivo, a Brigada Militar, idem. O prédio apresenta severos problemas estruturais, parte chegou a ser interditado pelo judiciário, e ainda tem uma das maiores superlotações do Estado.

Enquanto o local se torna um barril de pólvora, o município estaria ainda aguardando por um sinal verde do governo do Estado para ver se aceitam ou não a “permuta” proposta para construção de um novo presídio em Erechim (terrenos do Estado na cidade seriam oferecidos como pagamento para a empresa que realizaria a obra, orçada em aproximadamente R$ 45 milhões). As áreas já teriam sido escolhidas e passadas por avaliação de técnicos do município. A administração municipal doaria o terreno onde seria erguido o presídio.

Sem novidades

A ideia da “permuta” surgiu em 2017, através de mobilização de entidades representativas do município (Judiciário, Ministério Público, Consepro, OAB, Susepe, Prefeitura, Câmara de Vereadores, Brigada Militar e Conselho da Comunidade) e é a mais viável diante da alegada falta de dinheiro do governo estadual.

O novo presídio seria construído em uma área afastada da zona urbana, possivelmente no mesmo terreno que há cerca de seis anos foi adquirida pelo município para esta mesma obra, que na época seria construída com verba federal, o que acabou não se concretizando. O terreno, às margens da ERS 477, entre Erechim e Áurea, foi então revendido ao antigo proprietário e deve ser readquirido agora. A nova casa prisional teria capacidade para 800 apenados e contaria com pavilhões para os mesmos trabalharem em programas de ressocialização. Em novembro do ano passado, conversei com a promotora de Justiça, Karina Denicol, e a informação que recebi era de que as negociações para a construção do novo presídio estariam bastante avançadas, só faltando que o governo do Estado enviasse seus técnicos ao município para ver se aceitariam ou não a proposta. Desde então, nenhuma novidade sobre o assunto surgiu, pelo menos, nada que tenha chegado até a imprensa.

Por Alan Dias 

 

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