Memórias da Aldeia – Nota de religião

Por Enori Chiaparini

A Avenida Maurício Cardoso foi desmatada no ano de 1914. Antes havia uma picada, que usaram para construir o ‘Castelinho’ (1912-1915).
O professor Carlos Mantovani, até prova em contrário, foi o primeiro professor do antigo Paiol Grande. Aqui chegou em 1917. Construiu uma escola na AV. Presidente Vargas. Era uma escola só para meninos. Nessa época, não havia aulas mistas, com guris e gurias. Isso era um sacrilégio. As moças, no Colégio São José, aqui chegaram em 1923.
O professor Mantovani era um senhor disciplinado, austero, tinha, segundo seu filho adotivo (Modesto Rigoni), uma severidade e disciplina de ferro. Ninguém piava em sua aula. Falava alto e em bom som. Não mostrava os dentes, usava uma vara de marmelo e grãos de milho, para os alunos indisciplinados ajoelharem…
Certo dia alguém bateu à porta e abriu. Era um aluno atrapalhado que chegara atrasado. O professor reagiu – é hora de chegar… o aluno argumentou:
Peguei no sono não ouvi o galo cantar…e arrematou ‘o Sr. não me manda’. O Professor implacável disse: você está expulso… Sílvio Menta, um dos primeiros alunos expulsos pelo ‘velho mestre’…
Aos domingos o insigne Professor se dirigia à sua Escola, com o caderno de chamada, e aí ficava olhando para os alunos que iam à missa na antiga Matriz São Jose…. Impávido anotava: Angelo, compareceu, nota dez, Pedro se ausentou, zero, e assim ia indo. Valia nota para a disciplina de religião.
O Professor tinha poderes extraclasse. Era para formar homens para a vida. Conscientes, cumpridores da ordem e da lei. Se alguém apanhasse na escola, jamais contava para o pai ou mãe. Era certo que lá vinha outra sumanta.
O velho mestre Mantovani talvez jamais sonhou que tempos terríveis se avizinhavam para aqueles que vivem para ensinar.
OBS: dedico essa croniqueta aos meus colegas PROFESSORES.

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