Livro sobre o imperialismo de Hitler conta a União Soviética

‘Moro em Passo Fundo, sou formado em Direito e mestre em História pela UPF. Na graduação e no mestrado tive vários colegas da região de Erechim, que muito contribuíram para minha formação, num saudável ambiente de cooperação interdisciplinar e interinstitucional. Recentemente, fiquei feliz e um tanto surpreso ao saber que Salus Loch publicou A tenda branca, livro que aborda um tema muito intrigante para mim: os crimes nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, no caso o drama de Magdalena Guitta Wein, romena judia que vivenciou o inferno de Auschwitz, o maior dos campos de extermínio nazistas, perto de Cracóvia no sul da Polônia.

Eu também publiquei um livro sobre o tema, a partir de minha dissertação de mestrado. Em “A melhor colônia do mundo”: inspirações de Hitler para a conquista da União Soviética, analiso os planos imperialistas do Terceiro Reich contra a população eslava do Leste Europeu, sobretudo russos e ucranianos. Mostro como percepções ideológicas e métodos de dominação até ali usados em colônias fora da Europa foram adaptados para a guerra contra o regime comunista de Stálin. Hitler disse em 1941: “A Rússia é a nossa África, e os russos são os nossos negros”. Ainda definia a Ucrânia como a “Índia alemã”, a ser subjugada como os britânicos faziam com os hindus e muçulmanos da Ásia. Enfim, a busca capitalista por mercados consumidores, matérias-primas e mão-de-obra barata condicionou a desumanidade nazi contra os povos eslavos, incluindo tchecos e poloneses, muito afetados sob o colonialismo da suástica. Foi a primeira vez que povos cristãos “brancos” e “civilizados” da própria Europa sofreram uma discriminação até ali reservada a pagãos de pele escura “bárbaros”, “selvagens” e “primitivos” do além-mar.

Enquanto o excelente livro de Salus Loch foca-se no Holocausto, ou seja, o assassinato deliberado de uns 6 milhões de judeus, meu livro foca-se na tragédia da etnia eslava, frequentemente negligenciada. Enquanto Loch emprega uma linguagem jornalística, às vezes tendendo para o romance, empreguei uma linguagem mais técnica. Loch conversou pessoalmente com uma vítima de Auschwitz, encontrando-se com ela em Florianópolis, enquanto eu baseei-me mais em documentos oficiais, como os que foram apresentados no julgamento de criminosos nazistas em Nuremberg.

Tais diferenças, claro, não significam uma hierarquização entre as obras: não quero competir com Loch, nem incorrer na infantil vaidade tão comum na universidade brasileira. Gostaria de enfatizar como nossos textos são compatíveis, até complementares. A tenda branca mostra como o nazismo afetou pessoas que vivem entre nós, e como um assunto tão delicado pode ser enriquecido com ficção numa trama que mescla história e invenção literária digna de best-sellers. Minha obra “A melhor colônia do mundo”, por outro lado, oferece um embasamento mais científico para o tema, contribuindo para os que querem se aprofundar na política externa nazi, no racismo totalitário, nas complexidades administrativas do Terceiro Reich, na forma como o imperialismo contemporâneo condicionou o esforço de Hitler para formar um “Império de Mil Anos” que seria a maior potência global. Explico as ideias e práticas por trás da invasão da União Soviética, a Operação Barbarossa: a maior operação militar da história, com 3,8 milhões de soldados alemães e aliados contra o formidável Exército Vermelho de Stálin. Disseco a mente de Adolf Hitler, mostrando como seu expansionismo esteve ligado, por exemplo, a seu interesse juvenil pelo Faroeste dos Estados Unidos, pelos livros de Karl May sobre índios versus cowboys, pois ele frequentemente dizia querer dominar o Leste Europeu como havia ocorrido na América, nosso continente.

Logo, os leitores que apreciam Salus Loch pertencem ao mesmo público-alvo de minha obra, e vice-versa. Quem tem em sua biblioteca A tenda branca possui um excelente embasamento para apreciar meu texto, também voltado para o grande público, embora com vantagens – e limitações – do meio acadêmico.

Confesso que também eu tenho vontade de escrever ficção, de misturar realidade com fantasia. Tive uma ideia recentemente. Numa obra Um diálogo entre Hitler e Stálin no inferno, poderia relatar um encontro fictício, mediado por Satanás, entre os dois piores ditadores do século XX, cada um deles tentando explicar/justificar os crimes cometidos, contexto que permitiria explicar as diferenças ideológicas entre a ditadura fascista de Berlim e a marxista de Moscou. Eu poderia assim acrescentar mais diversão ao que já escrevo sobre a guerra nazi-soviética de 1941-45.

O tema em questão permanece atual. 2017 foi o ano em que se completaram os cem anos da Revolução Russa, enquanto 2018 assistirá uma Copa do Mundo sediada na Rússia. É de se imaginar um eventual choque futebolístico entre russos e alemães na paisagem que serviu de palco para o front mais mortífero da Segunda Guerra Mundial. A acolhedora cidade gaúcha de Erechim também tem relação com o assunto. Formada por uma população descendente de italianos, poloneses, judeus e alemães, entre outras etnias, gente mui culta, Erechim pode compreender melhor sua própria trajetória no livro que divulgo grato pela atenção erechinense.

Minha obra pode ser adquirida via Facebook (Samuel Celuppi Schneider) ou via celular (54-991979294). Boa leitura! Me coloco à disposição para palestras, sem custo’.

 

Por Samuel Schneider – mestre em História

 

 

 

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