Abstenções, brancos e nulos ‘consumiram’ cerca de ¼ dos votos da Amau em 2014

Redução deste número – que representou quase 48 mil eleitores só na eleição para deputado federal – pode garantir uma vaga aos candidatos locais no pleito de outubro

Os 182.819 eleitores do Alto Uruguai irão às urnas no próximo dia 7 de outubro para definir que tamanho e representatividade a região terá pelos próximos quatro anos. No pleito que se avizinha, além da eleição do novo presidente, governador e de dois senadores, teremos que escolher, também, deputados federais e estaduais – responsáveis pela representação local junto às capitais da república e do estado.

 

Vitórias pírricas

Nos últimos tempos, numa sucessão de vitórias pírricas (àquelas que custam um preço alto demais a ser pago pela ‘conquista’, vide prefeitos, vereadores e cidadãos que aceitam migalhas em troca da alma), perdemos todos – nos metendo numa encruzilhada tão grande que sequer lembramos quais são as atribuições, a importância e o benefício de termos um parlamentar embrionariamente identificado e comprometido com a região em Brasília.

No século XXI, aliás, nenhum representante daqui botou os pés no Congresso Federal. Ao longo da história (sete décadas), pasmem, elegemos apenas 5 deputados federais nascidos neste esquecido rincão do RS. O último, em 1998.

 

Alto Uruguai tem votos suficientes

A reportagem que segue, contudo, não tem a pretensão de ensinar o eleitor a votar, eis que a liberdade de expressão e opinião, por ora, segue sendo um direito constitucional. Todavia, os números revelados confirmam uma verdade inatacável: o Alto Uruguai tem densidade eleitoral suficiente para garantir, pelo menos, um deputado federal e dois estaduais apenas com os seus votos.

Basta, no entanto, decidir fazê-lo, considerando os elementos geográficos, sócio-econômicos e culturais que unem a cada um dos municípios, suas lideranças e seu povo.

E o caminho está desenhado: a valorização das candidaturas locais, mobilizando o eleitor a partir de propostas/compromissos que (re)conheçam nossas potencialidades e carências, como na área da saúde que clama por um olhar integrado, ou na infraestrutura.

Mobilizar, sob esta perspectiva, significa em última análise duas coisas: conscientizar o eleitor para que vá às urnas e, chegando lá, não anule seu voto, nem o dê de mão beijada para candidatos que apareçam por aqui apenas de 4 em 4 anos.

 

26,5% ‘perdidos’ em 2014

Para se ter uma ideia, com resultados oficiais do TRE-RS, a partir de pesquisa realizada pelo Instituto SL/ISPO, em 2014 – ano da última eleição geral – dos 180.449 eleitores aptos no Alto Uruguai, abstenções, brancos e nulos consumiram 47.824 votos (ou, 26,5% do total) na disputa para deputado federal, sendo que o último parlamentar gaúcho eleito de forma direta fez 60.523 votos. Do que ‘sobrou’ (132.625 votos – 73,5%), os candidatos ‘forasteiros’ amealharam, em média, de 70% a 80% dos sufrágios em cada cidade – fazendo restar para os nomes locais (regionalmente falando) algo em torno de 44 mil votos.

Ou seja, com uma pequena redução do impacto destes votos perdidos para brancos, nulos, abstenções e paraquedistas em nossas ‘vitórias pírricas’, o caminho está aberto. Pavimentá-lo depende de nós.

A seguir, a coluna traz o quadro eleitoral dos 32 municípios das Amau, considerando os votos ‘perdidos’ no pleito de 2014.

Curiosidades:

# Em 2014, o voto ‘branco’ – se candidato fosse – obteria a 2ª colocação geral tanto para deputado federal quanto estadual na eleição de Erechim (respectivamente, 8.755 e 6.832 sufrágios).

# Branco, nulo e abstenção representaram 32,2% dos votos dos erechinenses para Câmara Federal na eleição de 2104. Na região, a média foi de 26,5%,

 

# O último deputado estadual eleito de forma direta em 2014 somou 9.098 votos. Só em brancos e nulos, os eleitores da Amau ‘desperdiçaram’ 19.271 votos (14.200 em branco e 5071, nulos).

 

Por Salus Loch

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