Passado, presente e futuro de Erechim são temas de debate na Rádio Cultura

Em 2008 a Rádio Cultura e o Jornal Boa Vista iniciaram uma série de debates visando trazer para conhecimento dos ouvintes e leitores as dificuldades, as lutas, as demandas e conquistas que Erechim teria até seu centenário.

O projeto, chamado de Contagem Regressiva para o Centenário, reunia autoridades e lideranças do município e era realizado ao vivo em diferentes locais, a cada aniversário da cidade. Foram realizados programas no Castelinho, prefeitura, Praça da Bandeira, no antigo estúdio da Rádio Cultura e diversos outros pontos. O último aconteceu no estúdio Boa Vista da Rádio Cultura, na última sexta-feira, 27 de abril, e contou com a participação do atual prefeito de Erechim, Luiz Francisco Schmidt, do reitor da URI Erechim, Luiz Mário Silveira Spinelli, do diretor da URI Erechim e presidente do Credenor, Paulo José Sponchiado, do presidente da Cotrel, Luiz Gonçalves Paraboni Filho, do ex-prefeito, Paulo Polis, da presidente da CDL, Arlei Lucia Balestrin Cavaletti, do presidente da Accie, Fábio Vendruscolo, do professor, Júlio Brondani, do secretário de Desenvolvimento, Altemir José Barp, do presidente da Agência de Desenvolvimento do Alto Uruguai e diretor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, Eduardo Predebon, do presidente do Sindilojas, José Gelson Miola, e do representante da Unindústria, Rafael Weinmann Vieira.

No primeiro bloco, sem intervalos, e que se estendeu por mais de uma hora, o debate centrou nas conquistas alcançadas pelo município nos últimos 10 anos. Para os convidados, existe muito a se comemorar, como o curso de medicina, a vinda da Universidade Federal, do Instituto Federal, da Uergs, a transposição do Rio Cravo, as tratativas para que a Cotrel não fechasse as portas, o que acabou por trazer a Aurora e a Alfa para Erechim. E também das dificuldades encontradas para avançar, como a burocracia, a falta de ligação asfáltica em diversos municípios da região, as dificuldades financeiras do hospital municipal, o presídio instalado no centro de Erechim e a urgente necessidade de um plano para tratamento de esgoto.

Durante o segundo bloco, também com mais de uma hora e sem intervalos, o foco foram os principais desafios para continuar em crescimento. Entre as sugestões, a criação de um pólo tecnológico, a união de esforços pelo município e pela região, a necessidade de termos representantes do Alto Uruguai em Brasília, motivar e envolver mais mulheres para protagonismos políticos e de lideranças, definir ações para serem seguidas por todas as entidades, não lutar de forma desmembrada por objetivos diferentes e qualificar mão de obra para as novas tecnologias e atuais demandas de trabalho.

Confira abaixo alguns dos principais momentos do debate e o que pensa cada liderança envolvida na busca por um Erechim cada vez maior.Curso de medicina: uma conquista feita por várias mãos

Luiz Francisco Schmidt

“Depois de anos de tanta luta, é um marco na área da Saúde ter o curso de medicina implantado aqui em Erechim, no ano de nosso centenário. A conquista não é de ordem pessoal, mas de ordem coletiva, graças ao esforço desses meninos que dirigem a Universidade Regional Integrada, graças ao esforço dos nossos políticos, deputados e do prefeito Polis”.

 

 

Luiz Mário Spinelli

 

“Realmente é um marco na história de Erechim. A gente tinha essa expectativa há 10, 15 anos atrás. Deixa a lição de que quando acreditamos na união, na nossa força, a gente consegue as coisas mais fácil, mais rápido. A história de Erechim é assim, a construção dos grandes segmentos em qualquer área, os clubes, área da Saúde, da Educação. Erechim é uma cidade que sempre acreditou na Educação e isso ajudou a conquistar a medicina”.

 

Paulo Sponchiado

“O curso de medicina era um sonho e a gente tem que correr atrás dos sonhos, não perder as esperanças, lutar por ele, que a gente consegue. É algo que nós colocamos como uma meta da universidade. Foi se desenvolvendo de forma gradativa, formando estrutura, buscando pessoas, e é um processo natural de evolução, e chegamos ao ápice com a implantação do curso de medicina. A luta foi árdua, foi difícil, era luta de cachorro grande, porque era um curso desejado por todos e pouca possibilidade de autorização pela complexidade, dificuldade. Não é simplesmente querer fazer, depende de uma estrutura bastante complexa, para que se possa formar bons profissionais. Estamos iniciando a primeira turma no centenário de Erechim. Esse curso vai fazer uma diferença muito grande para a área da saúde em nossa cidade e região”.

Crise na Cotrel, a vinda da Aurora e da Alfa

Luiz Paraboni

O presidente da Cotrel participou do primeiro programa e na época foi questionado sobre o fechamento dos frigoríficos, quando disse: “eu garanto e tenho a certeza que até o centenário teremos boas notícias em relação aos frigoríficos”.

“Nessa longa caminhada você faz um planejamento, traça uma linha sobre até onde quer chegar, é lógico que ela não está asfaltada, não está pavimentada, você vai fazendo as construções e a construção inicial era manter como a sociedade vinha sendo administrada, e ampliando, crescendo e desenvolvendo, mas o mundo dos negócios, ele é razão, as decisões devem ser tomadas muito rapidamente, e claro que nas decisões tomadas rápida, às vezes se erra. Foi buscado com muito esforço duas grandes empresas e elas não vieram aqui de paraquedas, de uma hora para a outra, e logicamente, como todo grande negócio, haviam forças contrárias, o que é normal. As pessoas que aqui estão também trabalharam muito pra isso. É a coletividade, construção coletiva. A Aurora é a terceira maior processadora de carnes do Brasil e já anunciou ampliação das duas plantas. Toda a cadeia aumenta, olhem quantas pessoas irão se beneficiar. A vinda da CooperAlfa, também foi desgastante, envolveu longa negociação. A Alfa é a maior cooperativa singular do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina”.

Representatividade em Brasília

Paulo Polis

“Lutamos por questões comuns, desfechos saudáveis nos temas Aurora, Alfa, Cotrel. Se acontecesse alguma coisa com os frigoríficos, o lado de lá da cidade (Três Vendas e bairros próximos), poderia fechar. Quanta gente boa trabalhou aqui e fez parte da construção desses pilares centrais, muitos vieram de fora para estudar aqui. A URI sozinha é forte, o sistema Alfa, Aurora, Cotrel é forte, a prefeitura municipal é forte, agora, se nós juntarmos força. O principal tema não é Educação, Saúde, acesso asfáltico, é representatividade lá (Brasília) e não interessa se é Polis, A, B ou C. É diferente se houver alguém nosso, que sabe onde o sapato aperta aqui. Vocês acham realmente que algum deputado de fora vai priorizar a região? Vem um deputado e dá emenda de R$ 200 mil para o Santa Terezinha. Quanto é o orçamento do Santa? Setenta, oitenta milhões de reais. O que vai significar R$ 200 mil?”.

 

Fábio Vendruscolo

“Nós temos 32 municípios, poucos, por mais que tenha a Amau, são unificados, porque cada prefeito tem um partido, cada partido defende um deputado, que manda uma emenda de R$ 200, R$ 300 mil. Para o pequeno é um monte de dinheiro, mas para o município de Erechim, não é”.

 

Eduardo Predebon

“Um dos problemas mais graves da região Alto Uruguai é a ausência de representatividade. A Agência de Desenvolvimento conclama para que tenhamos representantes da região. Temos que ter deputados estaduais, temos que ter deputados federais, porque isso faz diferença quando temos que trabalhar com o setor público, faz diferença inclusive para as instituições de ensino público. Temos grandes dificuldades para trazermos mais recursos para a Universidade Federal Fronteira Sul, para o Instituto Federal do Rio Grande do Sul, porque quando estamos em Brasília, quando vamos ao Ministério de Educação, nós não temos quem nos acompanhe”.

Desafios no caminho

Arlei Lucia Balestrin Cavaletti

“Na CDL, em 50 anos, a Lindanir (Canello) foi a primeira mulher a alcançar a presidência, e eu a segunda. Temos 14 diretores sendo metade homens e metade mulheres, isso faz a diferença, a gente consegue mesclar as idéias. Em muitas reuniões que estou indo, realmente sou a única mulher. É um desafio e nos temos que motivar e envolver mais mulheres pelas lideranças. Temos que envolver mais pessoas para sabermos o que queremos para nossa cidade, e envolver nesse ponto, mais mulheres para serem líderes. Hoje precisamos de pessoas comprometidas e envolvidas nos processos”.

Gelson Miola

Hoje, em tempos modernos, de tantas dificuldades, de tanta violência, tantas drogas, administrar uma família também é um papel fundamental, porque a família é a base de tudo. E não é mais fácil administrar uma família do que uma entidade.

Podemos estar passando por um momento de baixa auto-estima, então, precisamos elevar isso. Não somos melhores do que ninguém, mas também não somos piores. Nossa região, especialmente Erechim, foi formada por imigrantes de várias etnias que começaram lá atrás. Nós já fomos exemplo na agricultura, fomos exemplo na aviação civil, temos um Distrito Industrial com empresas de altíssima tecnologia, temos um comércio pujante, temos um Executivo e um Legislativo focado, contribuindo, somos exemplo em Segurança Pública. Temos que elevar nosso astral e buscar uma representatividade maior. Temos que ter um foco, não podemos tentar atirar para todos os lados. Precisamos definir uma ação e ela têm que ser seguida por todas as lideranças e entidades”.

Rafael Rafael Weinmann Vieira

“Nós (Unindústria) acreditamos que buscar conhecimento, informação de fora, procurar preparar o empresariado para todos os desafios que o mundo está trazendo são os principais focos. Muitas coisas que a gente ouve falar e parece distante, quando se vê, já estão aí e você não está preparado, e o teu concorrente acaba te atropelando. Todos citaram que devemos nos unir e esse é o foco da Unindústria. Temos a questão da inteligência artificial, que está vindo com tudo e vai impactar não só a indústria, mas todos os outros segmentos, temos a blockchain, que vai afetar todo o mercado financeiro mundial. Efetivamente acreditamos que é a união que irá nos levar a patamares mais altos”.

Altemir Barp

 A comunidade inteira, que está assumindo seu papel, sindicatos, representantes do município, prefeitos passados, o atual, vem trabalhando para fazer de nossa cidade uma grande cidade. Começamos agora com o horário livre do comércio, um projeto que irá trazer desenvolvimento para a cidade e toda a região. Alguém pode pensar que estamos fazendo isso para prejudicar funcionários e empresários, ao contrário, vamos beneficiar todos eles. Temos grandes indústrias que são exemplos em nossa cidade. Distrito Industrial acontecerá com a construção da infraestrutura e das empresas ao mesmo tempo. Quando tivermos a implantação desse Distrito, a nossa cidade muda, o emprego na nossa cidade muda, a economia muda. Também defende candidato da região. Vamos ser mais fortes quando tivermos representantes pensando como nós”.

Questões a resolver

Segundo Schmidt, a burocracia é uma grande questão a ser resolvida, mas não é a única. “Lançamos o Projefácil, uma forma de aprovação de projetos imobiliários em até três dias, com declaração de responsabilidade do responsável técnico e do proprietário”. A questão do presídio no centro de Erechim, do Distrito Industrial Norte e do tratamento de água e esgoto também são dificuldades a serem vencidas.

“A Corsan prometeu que até 2013 teríamos 98% de todo o esgoto tratado, tenho por escrito. Mentiu pro prefeito Schmidt, mentiu para o prefeito Eloi João Zanella, mentiu para o prefeito Paulo Alfredo Polis. Essa é a verdade, tanto é que o Ministério Público interferiu a favor da prefeitura de Erechim. Iniciou o processo licitatório na gestão Polis, agora estamos prestando informações ao Tribunal de Contas e vamos continuar com o processo licitatório, porque, chega de mentira. Nós precisamos de esgoto. Nenhum litro é tratado em uma cidade com 100 anos, chega a ser constrangedor”.

Sobre o novo Distrito Industrial, o prefeito lembrou que, “tivemos que montar toda a Legislação para essa parceria público/privada”.

Para finalizar, citou que “conseguimos desembrulhar o transporte coletivo, que se arrastava por longos anos essa licitação e queremos resolver também o problema do aterro sanitário, tanto é que fizemos um contrato emergencial novamente, mandando o lixo para um aterro sanitário liberado, tudo regularizado, em outra cidade”.

Outros convidados colocaram a falta de acesso asfáltico em alguns municípios e a falta de vôos regulares em Erechim como demandas a serem solucionadas.

Presentes para o centenárioDurante o debate, muitas surpresas foram apresentadas aos ouvintes, entre elas, a vinda do curso de Medicina Veterinária, a luta pelo credenciamento da Fundação Hospitalar Santa Terezinha em Hemodinâmica, as tratativas para implantar Ensino Médio Integral no Instituto Federal, a possível construção de uma fábrica de ração, já que atualmente é necessário buscar fora e a promessa de Schmidt de que a nova Unidade Básica de Saúde, no bairro Progresso, será referência para todo o estado do Rio Grande do Sul.

Por Alan Dias 

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