Mediocridade atrasa mais do que ausência de asfalto

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A palavra latina mediocris, que deu origem ao termo medíocre, originalmente, não tem conotação pejorativa. Significa, simplesmente, médio ou mediano. Com sentido de ordinário, cuja cognata no inglês (ordinary) quer dizer “comum” – medíocre, no entanto, hoje é percebido como algo negativo. Abaixo da crítica, talvez.

Aproveitando-se do termo em sua contemporaneidade, e a partir da provocação de um leitor do espaço, a coluna endossa o pensamento de que a mediocridade é tão funesta aos interesses locais quanto a falta de acesso asfáltico de 1/3 do municípios do Alto Uruguai.

Isso por que a mediocridade que nos atinge é aquela que alcança algumas das principais instituições de ensino superior da região – onde a nota de ‘corte’ para aprovação varia entre 5,0 e 6,0. Exatamente um número que premia o médio. O medíocre.

No vizinho Estado de Santa Catarina, por exemplo, o medíocre, com seu 5,0, repetiria o semestre, pois, lá, o corte fica entre 6,5 e 7,0 – aumentando o grau de exigência e a necessidade de saber mais para seguir adiante.

A soma de um conhecimento acima do mediano com a qualificação constante do ensino é tarefa precípua de educadores e instituições responsáveis por formar as futuras gerações no Alto Uruguai. Sem isso – e caso o asfalto algum dia saia do universo das promessas eleitorais – será apenas para acelerar o processo de invasão das ‘melhores cabeças’ vindas de SC e outras paragens para ocupar as lacunas aqui percebidas, ou, ainda, para estimular a fuga daqueles poucos que se destacam em meio à mediocridade geral.

Por Salus Loch

 

 

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