Memórias da Aldeia – Um baluarte do rádio

O dia 31 de julho de 2018 é de luto para a radiofonia regional. Morreu naquela manhã gélida e nublada o primeiro radialista de Erechim, sr. Milton Doninelli. Nasceu em Erechim em 29 de fevereiro de 1928 (ele sempre brincava comigo dizendo que só aniversariava a cada quatro anos). Filho de uma família pioneira, seu pai Sílvio Doninelli, foi Inspetor de Ensino na década de 192O, em nossa cidade.

Dono de uma voz invejável e linguagem primorosa, Doninelli, na década de 1940, foi agraciado pela Rádio Farroupilha de Porto Alegre com um pequeno microfone de ouro. Foi também o primeiro Rei Momo no Carnaval dos Bota Amarela, em 1953. Em 1947, trabalhou uma temporada na Rádio Salete de Marcelino Ramos. Depois ingressou na Rádio Erechim. Lembro-me perfeitamente que na década de 1960 (eu era um piá de 8 aninhos), ele lia uma crônica diária na Rádio Erechim, um pouco antes do Grande Jornal Falado, ZYF7. Entrava uma vinheta assim: “E agora a crônica do dia, escrita por Santo Severo, na palavra de Milton Doninelli”

Apresentou dezenas de programas, durante décadas, muitos deles ao vivo – os chamados “programas de Auditórios”. Quando o Gildinho chegou em Erechim, aí por 1964, vindo de Soledade, a primeira pessoa que orientou o neófito gaiteiro foi Milton Doninelli. De igual modo, dezenas de músicos, comunicadores, radialistas, foram orientados pelo bondoso, generoso e competente “professor do Rádio de Erechim”.

Adorava bater papo nas esquinas, cafés e repartia seus conhecimentos com alegria invulgar! Acompanhava as Emissoras das capitais e do interior. Entendia de dicção e pronúncia das palavras como poucos, mesmo sem ostentar um título de Curso Superior.

Nasceu para ser radialista! Foi primoroso, competente, intenso e feliz… Deixa um legado exuberante e um exemplo digno. Muito obrigado meu amigo Milton Doninelli pelos teus sábios ensinamentos. Ninguém morre enquanto vive no coração de alguém. Sua dignidade será hasteada em cada novo amanhecer, como uma bandeira, dos que fazem do Rádio, uma razão de viver! Nosso reconhecimento e imorredoura saudade.

Por Enori Chiaparini

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