Acreditar nas instituições

Por Valdecir Moschetta

Passados uns dias da confirmação e ampliação da pena para o senhor Lula da Silva, a maior lição que a sociedade moderada, ponderada e equilibrada recebeu foi de que as instituições em nosso país estão funcionando, especialmente as do judiciário e ministério público. O mesmo não posso dizer do executivo e do legislativo federal.

Todo aquele “barulho” que foi realizado e continua, no que tange a dizer que fora julgamento político, e não jurídico, ao meu ver e com muito respeito aos que pensam diferente, não procede. O judiciário é instituição fortíssima mesmo tendo, eventuais, deficiências. Nesse sentido, o judiciário está tentando “salvar” a sociedade brasileira com suas decisões firmes, corretas e consistentes, não interessando quem esteja no banco dos réus.

O julgamento do senhor Lula da Silva e de tantos outros políticos, que até bem pouco tempo sempre fora mais difícil, demonstra cabalmente a grandeza e independência das instituições judiciárias do país, o que indica que a democracia vai muito bem. Não importa se os denominados políticos são condenados ou não, o importante é que estão se submetendo a julgamentos; sentam no banco dos réus. Isto é um alento de um futuro Brasil melhor, quando se sabe que, verdadeiramente, “ninguém estará acima da lei”. Os “políticos” começaram a perceber isso, e esta é a razão de tantas críticas lançadas pelos mesmos ao judiciário, ao ministério público e à polícia federal. Eles gostariam de continuar impunes e saqueando os cofres públicos, como fizeram por muito tempo. Simplesmente roubaram nosso dinheiro, em prejuízo às grandes necessidades de todo um povo bastante sofrido, ao qual falta melhores condições de saúde, empregos, escolas, creches, alimentos e tudo o mais.

No que diz respeito ao emprego, o Brasil, hoje, está com cerca de 13 milhões de desempregados, situação assustadora. Brasileiros que vivem em nível de pobreza extrema também são milhões. Quanto à saúde, é notório o caos em que se encontra este nosso grande Brasil, realidade muito triste. Quanto à educação, temos milhões de alunos em idade escolar e fora das mesmas.

Esses sucintos fatos demonstram e denotam que nós, sociedade brasileira, devemos dar apoio incondicional às nossas instituições, para que cada vez mais possamos prender os verdadeiros ladrões do dinheiro público, não importando a cor partidária, o grau de instrução ou seu poder econômico. A sociedade, ao agir assim, respaldando as instituições e procurando melhor escolher seus representantes políticos, estará dando sua importante parcela de contribuição.

Ainda, no que tange às denúncias realizadas pelo ministério público e respaldadas pelo brilhante trabalho da polícia federal, com o consequente julgamento pelo judiciário, nota-se que alguns daqueles que roubaram nosso dinheiro já estão presos, como os senhores Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Henrique Alves, José Bumlai, Rocha Loures, Jacob Barata, Jorge Picciani, Geddel Vieira, Paulo Maluf, Eike Batista, Marcelo Odebrecht. Outros estão no caminho da cadeia, como como é o caso de Lula da Silva. E, ainda, esta semana a polícia federal fez uma visita na residência do senhor Jaques Vagner em Salvador -não termina nunca, que coisa-. O Senador Aécio Neves, até o momento “escapou”, mas decepcionou o povo brasileiro, quando recebeu, na última eleição presidencial, cinquenta milhões de votos e, na condição de senador, segundo sua versão, mas que não deve ser verdadeira, foi pedir emprestado dois milhões de reais para um empresário. Deveria ter se dirigido às instituições financeiras. Como ficaria sua isenção parlamentar, quando pede para uns dos maiores empresários brasileiros dinheiro emprestado? Merecia ser cassado, mas com o apoio da base do governo Temer, no Senado, foi salvo.

Falar em julgamentos políticos, realizados pelo judiciário, é algo que subestima a mediana inteligência do povo brasileiro. É a continuidade da enganação. Os julgamentos, ao meu ver, estão sendo técnicos e jurídicos e, certamente, pelo que acredito e confio no judiciário, continuarão a ser, independentemente de quem estiver no banco dos réus. Que assim continue.

Graças às fortes instituições judiciárias, o povo brasileiro, mesmo passando por muitas dificuldades, como já colocadas, passou a ter alento e esperança de dias melhores, quando percebe que os ladrões do nosso dinheiro, políticos, empresários e funcionários públicos, foram e estão indo para a cadeia. É o início de uma nova fase no nosso grande, maravilhoso e querido Brasil.

Vale lembrar que as contundentes críticas lançadas, especialmente, por segmentos da classe política (executivo e legislativo federal), às instituições judiciárias, servem mais como uma tentativa de enfraquecê-las, do que qualquer fundo de verdade. Assim, nós, povo brasileiro, devemos ficar atentos quando nos deparamos com tais críticas às instituições, para termos a sabedoria de, serenamente, avaliarmos o que há mesmo de verdade ou não. As pessoas e instituições são falíveis, obviamente, mas não podemos nos deixar enganar a tal ponto de acreditarmos que colocar na cadeia, políticos e poderosos empresários, estaria sendo erro e exageros das instituições judiciárias. Parabéns às instituições judiciárias.

 

Consultoria@moschetta.com.br

 

 

 

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