Conselho Diocesano de Pastoral reflete Comunicação, Evangelização e Fake News

Com assessoria do doutor em comunicação Moisés Sbardelotto, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, mais de 100 representantes das Paróquias da Diocese de Erexim, membros do Conselho Diocesano de Pastoral, refletiram sobre Comunicação, Evangelização e Fake News, na manhã deste sábado, 28, véspera da solenidade de São Pedro e São Paulo, no Seminário de Fátima.

Na abertura da reunião, Dom José lembrou aspectos do contexto atual. No âmbito da Igreja, mencionou a dimensão missionária, que ganha particular destaque com o início da preparação da Assembleia especial do Sínodos Bispos sobre a Amazônia, em 2019. Na dimensão social, referiu-se à crise atual do País, propondo o questionamento: que podemos fazer para um mundo melhor? Ressaltou a importância do tema a ser abordado na reunião, observando que circulam muitas notícias falsas com mais espaço dos que as verdadeiras e que é mais fácil acolher as falsas do que confrontar-se com a verdade. Apontou para a necessidade de um olhar geral para os meios de comunicação na Diocese e de como evangelizar no mundo em transformação.

Em sua explanação, o assessor abordou cinco pontos: O conceito de comunicação; comunicação e Igreja, cultura digital, inculturação digital e Fake News.

A comunicação: É característica e constitutiva do ser humano, que é ser de relações. Tudo comunica e é impossível não se comunicar. A comunicação é interação entre pessoas. Não é simples transferência de conhecimentos de um sujeito para outro. Ela também pertence à essência da Igreja.

Comunicação e Igreja: Partindo dos Atos dos Apóstolos, referiu o que se dizia dos primeiros cristãos: viviam unidos, tendo tudo em comum entre eles; eram uma só alma e um só coração. Viviam a comunhão, formavam comunidades, em comunicação, O objetivo primordial da comunicação é justamente criar comunhão, estabelecer relações, promover o bem comum, o serviço e o diálogo na comunidade (Diretório da Comunicação da Igreja no Brasil, 13). Tudo o que se faz na Igreja é comunicação. A palavra da Igreja é comunicação. Ela enfrenta dois desafios, a urbanização e os ambientes virtuais.

Comunicação Digital: Com a advento da Internet surgiram novas formas de relações sociais que não se desenvolveriam sem ela. A cultura digital estabelece múltiplas conexões, cria síntese, possibilita contato com a pessoa onde quer que esteja. Nela aparece a identificação pessoal de quem a utiliza, o seu perfil.

Inculturação digital: Na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações de 2014, Papa Francisco falou da cultura do encontro, ressaltando que a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus. É, pois, importante ir para as redes sociais porque as pessoas estão nelas. Bento XVI, na mensagem para o Dia Mundial das comunicações de 2011, intitulada Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital, acentuou: Comunicar o Evangelho através dos novos meios de comunicação significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas deles, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele.

Fake News: O termo, que não é consensual, significa “notícias falsas”. Papa Francisco na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações de 2016, diz que a expressão fake news é objeto de discussão e debate. Geralmente diz respeito à desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais. Assim, a referida expressão alude a informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário. A sua divulgação pode visar objetivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros econômicos. O assessor ressaltou a necessidade do discernimento para se identificar o que há de verdadeiro ou não na informação e para o cuidado de não compartilhar o que é nocivo. Falou também do fenômeno de “milícias digitais” que extravasam intolerância, discriminações e provocações.

Sbadelotto concluiu sua exposição exortando a utilizar as redes sociais para testemunhar com alegria e simplicidade o que somos e o que fazemos.

Encaminhamentos para a Romaria de Fátima deste ano

Na reunião do Conselho Diocesano de Pastoral foram feitas também algumas comunicações. Entre elas, sobre encaminhamentos para a Romaria de Fátima deste ano. Pe. Clair Favreto, coordenador da equipe de liturgia, informou que tema será: Cristãos leigos e leigas, como Maria,  a serviço da vida e da paz, com o lema: “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo”, que é o mesmo do Ano Nacional do Laicato. A equipe chegou a esta definição a partir de aspectos do contexto socioeclesial atual: a insistência na configuração a Cristo, a implementação da Iniciação à Vida Cristã, o Ano do Laicato, a Assembleia do Sínodo sobre a juventude, a diretriz do Papa por uma Igreja em saída, a Campanha da Fraternidade sobre superação da violência, a família e as aparições de Nossa Senhora em Fátima.

A novena contemplará cristãos leigos e leigas de diversos segmentos da sociedade da Igreja, jovens, trabalhadores e empreendedores, educadores, profissionais da saúde e da segurança, as famílias, as comunidades.

Moisés Sbardelotto: Possui graduação em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Doutor e mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), na linha de pesquisa Midiatização e Processos Sociais, com estágio doutoral (PDSE/Capes) na Università di Roma ”La Sapienza”, na Itália. Autor de ”E o Verbo se fez rede: religiosidades em reconstrução no ambiente digital” (Paulinas, 2017) e de ”E o Verbo se fez bit: A comunicação e a experiência religiosas na internet” (Santuário, 2012). Colunista das revistas brasileiras Família Cristã e O Mensageiro de Santo Antônio. Colaborador do Instituto Humanitas Unisinos (IHU). Assessora e presta consultoria a diversos movimentos sociais e organizações religiosas no âmbito da comunicação. Foi membro da Comissão Especial para o Diretório de Comunicação para a Igreja no Brasil, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). De 2008 a 2012, coordenou o escritório brasileiro da Fundação Ética Mundial (Stiftung Weltethos), fundada por Hans Küng. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase na interface mídia e religião.

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