Diversa segue na UFFS com atividades para todos os gostos

Palestras, oficinas, debates, momentos culturais e apresentações de trabalhos acadêmicos reúnem comunidade acadêmica e regional

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(27) a Semana do Diversa na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). No Campus Erechim, as atividades congregam a Jornada de Iniciação Científica e Tecnológica (JIC), encerrada na terça-feira, além do Seminário de Ensino, Pesquisa e Extensão (SEPE), Simpósio em Ciência e Tecnologia Ambiental, II Mostra de Extensão e Cultura, além das atividades na 19ª Feira do Livro de Erechim.

Na noite da quarta, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Alceu Ravanello Ferraro, ministrou uma palestra sobre alfabetização e escolarização básica no Brasil. Prestes a se aposentar, o docente fez a doação de cerca de 800 obras acadêmicas, entre livros e revistas científicas, à Biblioteca da UFFS – Campus Erechim. “Algumas dessas obras ainda vieram comigo de navio da Europa, em 1964. Outras foram adquiridas mais recentemente com recursos do CNPq. Na medida em que eu encerrar as atividades, tenho obrigação de deixar em uma instituição pública. Então não é nenhum mérito meu. Agradeço à UFFS por ter recebido”, disse. A assinatura do termo de doação foi feita antes da palestra, em solenidade conduzida pelo diretor Anderson Alves Ribeiro, que agradeceu ao professor.

Ferraro já encerrou suas atividades na Pós-Graduação da UFRGS, mas ainda prossegue nos trabalhos de Pesquisa. Para o público presente no SEPE, falou sobre questões relacionadas à alfabetização e educação básica. O acadêmico valeu-se de diferentes períodos históricos para exemplificar os significados de “ser analfabeto”. Iniciou abordando o período da introdução do voto direto no Brasil. De acordo com o palestrante, foi um momento em que o analfabetismo se tornou um problema nacional, quando se discutiu se o analfabeto podia votar ou não. “Até ali nunca se havia levantado a questão. O que aconteceu foi que o termo analfabeto mudou de significado. Deixou de ser aquela pessoa que não domina o alfabeto e passou a ser um ignorante, um incapaz, e até mesmo uma pessoa perigosa. O analfabeto passa, então, por um processo de estigmatização. A lei da reforma eleitoral foi duríssima, endureceu os mecanismos de comprovação de renda para poder votar e excluiu liminarmente todos os analfabetos”, falou o acadêmico.

Segundo Ferraro, é importante que se faça tal retrospecto pois isso influiu no conceito não só do analfabetismo como também da alfabetização. “Alfabetização era simplesmente ensinar a ler e escrever. Aí depois passa a ter também outro significado, que é livrar alguém de um estigma. Livrar alguém de um rótulo negativo.”

Depois, o professor destacou o período entre 1958 até meados de 1980, quando começaram os trabalhos de educação popular de Paulo Freire. “Há o golpe de 64, que reprime esses movimentos todos e contrapõe o MOBRAL ao método Paulo Freire. Freire via a alfabetização como um movimento de conscientização, de cidadania e politização, enquanto o MOBRAL vem e coloca a questão em termos meramente técnicos. Enquanto antes se discutia o significado de analfabetismo, agora se discute o significado do ler e escrever”, relembrou. “É importante discutir essas questões atualmente porque muita gente pensa que a alfabetização de jovens e adultos é uma questão meramente técnica. E não é somente isso. Precisa da parte técnica, mas é uma questão de cidadania.”

Enquanto Ferraro palestrava no Auditório do Bloco A, acadêmicos da UFFS apresentavam seus trabalhos. Do curso de História, Paulo Alberto Duarte Júnior fez uma pesquisa sobre a inserção indígena no curso de Educação do Campo, com enfoque para o período de 2014 a 2016. “Procurei demonstrar, incluindo outros cursos da Universidade, a etnia presente. Dei um destaque maior para a Educação do Campo porque a maioria é de povos indígenas. Desde 2014 há aumento significativo, principalmente em virtude do Programa de Acesso e Permanência dos Povos Indígenas (PIN). Através de gráficos demonstro que essas políticas públicas vêm dando uma inserção maior aos povos indígenas na Universidade”, apontou. É a segunda vez que Paulo apresenta um trabalho no SEPE. À tarde, conferiu também a palestra sobre os 150 anos da publicação de “O Capital”, obra de Karl Marx.

Acadêmica do curso de Pedagogia, Ângela Maria Fabiane também tem participado das diferentes atividades da Semana do Diversa. “A experiência está sendo maravilhosa, é muito conhecimento adquirido. Sempre participo do Diversa, gosto bastante das oficinas. Está tudo muito interessante”, disse. A jovem também apresentou trabalho. “Minha pesquisa foi sobre a formação do professor para o ensino da Língua Portuguesa nos Anos Iniciais. Eu e minhas colegas fomos em três municípios: Getúlio Vargas, Estação e Gaurama, e trabalhamos com um questionário junto às docentes”, contou.

Na manhã desta quinta-feira iniciou no Campus o Simpósio em Ciência e Tecnologia Ambiental. Estão previstas apresentações de trabalhos, mesas redondas, entre outros. Um dos destaques foi o debate sobre “Trajetórias e Perspectivas em Sustentabilidade de Agroecossistemas”.

À noite, como parte da Jornada Pedagógica do curso de Geografia, ocorre a palestra sobre Cartografia Escolar com a professora Rosemy da Silva Nascimento, da UFSC, entre outras atividades.

Confira a programação completa da Semana do Diversa em www.uffs.edu.br.

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