Modesto Carvalhosa, o peregrino

A crença que move o advogado, consultor, professor e árbitro Modesto Carvalhosa é o combate à corrupção e o direito de que todo o cidadão possa ser votado, mesmo sem filiação partidária

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Tecnicamente, uma peregrinação (do latim per agros, isto é, pelos campos)  é uma jornada realizada por um devoto de uma dada religião a um lugar considerado sagrado pela sua fé.

A crença que move o advogado, consultor, professor e árbitro Modesto Carvalhosa é o combate à corrupção e o direito de que todo o cidadão possa ser votado, mesmo sem filiação partidária. Aos 85 anos, ele visa incentivar a participação direta da cidadania na política, e mostrar o distanciamento entre a sociedade civil e os implicados na Operação Lava-Jato.

Pré-candidato independente à presidência da República em 2018, o peregrino, que esteve em Porto Alegre participando do Café com Política da Unimed RS na sexta-feira, 15, está disposto a cortar o País desfraldando a bandeira do necessário (e urgente) ‘resgate social’ da população. Para Carvalhosa, o  Brasil ‘tem jeito’.

A seguir, a coluna reproduz trechos da entrevista exclusiva com o jurista que apresenta seus projetos, entre os quais o fim do financiamento público de campanha e a redução do número de ministérios para 12; fundamenta a candidatura ‘avulso’ com base no Pacto de São José da Costa Rica; e diz apostar nas redes sociais para levar sua pregação adiante. ‘(A internet) É o único caminho que tenho para chegar nas pessoas’, resume. Confira:

 

Suas propostas são simpáticas e necessárias para a guinada que o Brasil precisa. A pergunta, porém, é: aqueles que já ‘compraram’ sua ideia, poderão, em 2018, votar num candidato independente, como o Sr.?

Sinto-me no direito de ser votado. A questão está com o STF, que deverá se manifestar entre fevereiro e março sobre a possibilidade de candidaturas independentes, levando em conta o Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é signatário, e que não restringe o direito de ser votado à obrigatoriedade de filiação partidária. Os fundamentos da República Brasileira são incompatíveis com o cerceamento do exercício do direito político fundamental de participação direta do cidadão na política, criando-se um verdadeiro monopólio dos partidos. Temos que quebrar isto ao meio, pois, hoje, os partidos são verdadeiras organizações criminosas, causando o atraso e a roubalheira que estamos vendo.

 

Caso o STF não ‘libere’ para o pleito do ano que vem candidaturas independentes. O Sr. poderia se filiar a algum partido para concorrer?

Não. A candidatura independente é a finalidade. Se você entra num partido, você entra num fragmento. Só concorrerei de forma independente. É nisto que acredito.

 

Temos candidaturas independentes, ou assemelhadas, com sucesso eleitoral recente, como o caso do presidente francês Emmanuel Macron, e do Movimento 5 Estrelas, na Itália, que elegeu prefeitos em Roma e Turim. Essa é sua aposta?

A aposta é de aglutinarmos, no Brasil, as forças da sociedade que entendem que precisamos acabar, de vez, com a corrupção que assola o País. E nesta linha, vejo que tanto o Macron quanto o Movimento 5 Estrelas podem nos emprestar bons ensinamentos e práticas como, por exemplo, o voto distrital puro, que reestabelece a representatividade; a não reeleição; e o fim dos privilégios do setor público. A população brasileira está clamando por essa virada. Agora é a hora.

 

Embora reconhecido nacional e internacionalmente no mundo jurídico, a grande ‘massa’ ainda não conhece suas ideias. Como chegar até ela?

Só tenho um caminho: as redes sociais.

 

Foi seu tempo de ‘estrada’ – com contribuições importantes, especialmente no combate à corrupção – que, hoje, lhe faz ser ouvido por plateias de empresários, médicos e outros. No entanto, em relação à candidatura presidencial, ter 85 anos ajuda ou atrapalha?

Boa pergunta. Também me fiz esse mesmo questionamento. E, depois de rodar bastante, posso dizer que a idade, neste caso, não tem importância – e olha que pensei que pudesse ter. O importante é levar a ideia. Levantar a discussão. É isso o que me cabe e tenho conseguido fazê-lo a contento. Tenho experiência para falar e fazer.

 

O Sr. liderou movimentos de oposição ao regime militar e participou da comissão da Anistia, entre outros. No entanto, só agora, digamos, decidiu colocar seu nome para ser ‘apreciado’ pelos eleitores. Por quê?

O Brasil está sendo vilipendiado pela corrupção. A situação está insustentável – e olha que temos mapeados todos os cenários de dificuldades e quais são as soluções necessárias. O que precisamos, no momento, é de um resgate social do Brasil, que é economicamente viável. Há 13, 14 anos, o PT aparelhou o Estado para a corrupção. Antes deles, o Collor até tentou, mas caiu pelo amadorismo. É para romper com este ciclo que, entendo, precisamos agir, mobilizando a sociedade parta que intervenha nos entes estatais.

 

E como fazer isso?

Mostrando credibilidade e transparência total. Se formos confiáveis, as pessoas vêm.

 

Olhos (para intercalar no corpo do texto)

‘Nossa estrutura política é de não representação, por isso o voto distrital puro é o caminho’.

 

‘A corrupção em países como o Brasil é autoimune, criminalizada e legalizada’.

 

‘Devemos acabar com o foro privilegiado e com a desproporção de representação dos estados’.

 

‘É preciso por um fim às emendas parlamentares, pois com elas os congressistas ficam sócios do orçamento e não seus fiscais’.

 

 ‘O povo brasileiro está desiludido, e isso explica o silêncio das ruas, neste momento. A população tem repugnância pelos políticos. A desilusão é tal maneira que se houvesse um golpe militar, por exemplo, acredito que muitos estariam pouco se lixando’.

 

Por Salus Loch

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