Quanto o povo gastou para desentupir a canalização da água pluvial e do esgoto na primeira quadra da Avenida Tiradentes?

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* Guilherme Barp

 

Não bastassem os normais percalços que todo prefeito enfrenta em seu primeiro ano de governo, por ene razões, sobreveio ainda o problema do entupimento da evasão da água pluvial e cloacal dos prédios que ocupam toda a quadra compreendida entre a Av. Maurício Cardoso, a Rua Nelson Ehlers e a primeira quadra da Av. Tiradentes. Primeiro, arrebentaram o asfalto no meio da primeira quadra da Av. Tiradentes no sentido centro-bairro, provocando  o fechamento do trânsito nessa quadra e o consequente transtorno para a população que ali reside ou trabalha. Porém isso todos entendem, porque mais dias ou menos dias o trânsito seria restabelecido. Contudo, os encarregados dessa tarefa de buscar uma solução definitiva notaram que o problema não se situou só nesse lado da quadra, mas, sim, no lado oposto também, bem em frente às futuras novas lojas que a Empresa Bigolin Materiais de Construção está em vias de acabamento. Novas escavações, novo enorme buraco e o trânsito simplesmente interrompido nos dois lados. Novo transtorno, máquinas e caminhões trabalhando com afinco, com dezenas de trabalhadores para solucionar o livre escoamento das águas pluviais e do esgoto. Por que isso aconteceu? Não sou engenheiro e nem arquiteto para emitir um parecer técnico sobre o assunto, mas é provável que quando os donos desses imóveis apresentaram as plantas dessas construções nesse entorno, as tubulações foram calculadas para um número “x” de pessoas e não imaginaram que novas construções seriam erguidas e a população, ipso fato, também aumentaria e essas tubulações não dariam evasão adequada para atender essa demanda, mesmo sendo aprovada pela Prefeitura. Os responsáveis que examinaram e analisaram esses projetos não pensaram que o centro sempre comporta futuros prédios e um aumento significativo da população? Em vez de pensar para o futuro, pensaram para “hontem”. Eis a razão desses percalços e gastos à toa, que poderiam ser evitados se nossos governantes pensassem à frente, visando ao aumento da população a cem ou quinhentos anos. Já disse e escrevi que Erexim será uma macrópole, queiram ou não, porque ao redor dela gravitam dezenas de pequenos municípios, que precisam nela se abastecer de diversos produtos e atendimentos, sobretudo na educação e saúde, sem contar do comércio.

Poucas pessoas sabem que Erexim é a única cidade planejada de nosso Estado. Vejam a Praça da Bandeira onde desembocam nada menos que dez largas avenidas, sem contar com outras largas ruas centrais. Porém os governantes municipais que se sucederam, ao invés de continuar o traçado inicial de nossa bela cidade, sob o argumento de facilitar e tornar acessível para todos a compra da casa própria ou favorecer companheiros, que fizeram? Aprovaram loteamentos com ruas estreitas que, se por acaso estaciona um caminhão, interrompe o trânsito ou dificulta-o enormemente. Parece que pretendiam voltar à Idade Média, quando as ruas davam apenas lugar para passar uma carroça, era o suficiente. Ou ainda, aprovaram ruas estreitas que terminam numa outra, sem dar continuidade, porque esbarraria, quiçá, num terreno do companheiro fulano de tal. A larga Rua Torres Gonçalves termina na Jacinto Godoy. A Pedro Álvares Cabral acaba na Rua Espírito Santo, para só citar duas das várias que existem em nossa cidade. O que não se gastará, futuramente, em desapropriações para facilitar o escoamento da mobilidade urbana, por causa de uma administração feita para só resolver o problema de hoje, sem pensar num planejamento futuro?

 

 

 

E assim o será com as tubulações das águas pluviais e cloacais, enquanto não aparecer o tão esperado projeto do tratamento do esgoto da CORSAN que, provavelmente, evitará futuras e gigantes indenizações, caso isso não se concretizar agora.

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Nota: Erexim escrito pelo autor com “x”, baseado no Decreto-Lei Federal nº 5.168, de 13/1/1943 e na recente decisão da Academia Brasileira de Letras, órgão oficial que dita, em última instância, a correta escrita das palavras e dos topônimos.

    *  Professor e advogado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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