Schmidt anuncia a volta das assembleias do OP em 2018

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Aos 63 anos, o prefeito de Erechim, Luiz Francisco Schmidt (PSDB), afirma pensar a gestão de forma mais prudente do que em tempos idos – especialmente em relação à sua primeira gestão, há duas décadas. ‘Hoje, posso dizer que sou mais prudente e tomo as decisões com mais vagar’, revela o prefeito em entrevista.

                Durante duas horas de conversa, porém, Schmidt fez questão de mostrar que o ‘vagar’ não é sinônimo de ‘devagar’. Mesmo reconhecendo que há muito a fazer, com destaque à área da saúde – sua principal bandeira de campanha – o chefe do executivo elenca avanços que, em sua opinião, foram oferecidos à comunidade, como a redução da fila de espera para cirurgias – que dobrava a esquina de 2023, e hoje bateria, no máximo, segundo ele, às portas de 2019.

                Schmidt, porém, vai além, e antecipa o retorno das assembleias do Orçamento Participativo para 2018; fala da importância dos ex-prefeitos Eloi Zanella e Antonio Dexheimer em sua vitória; justifica os R$ 30 milhões em caixa, apesar dos buracos nas ruas; sugere que uma troca de secretários não está descartada; e projeta as comemorações do centenário de Erechim, em 2018, com a participação da comunidade, em todos os seus níveis. A seguir, os principais trecho do agradável bate-papo.

O governo caminha para o fim de seu 1º ano de mandato. Em sua opinião, qual é a marca da gestão e a principal obra?

A marca da gestão é a saúde, especialmente se considerarmos a redução da fila de espera das cirurgias; sendo que algumas estavam agendadas para 2023 e, hoje, reduzimos para 2019. Pretendemos com a compra de serviços equilibrar a oferta e a demanda até o fim de 2018. Além disso, concluiremos a nova UBS do Estevam Carraro; iniciaremos, com recursos próprios, a construção de uma nova UBS no Progresso; viabilizaremos o projeto do novo pronto socorro do Santa Terezinha; e encaminharemos o fim das obras da Unacon, que estavam paradas por abandono da empreiteira há cerca de 4 anos. Ainda no campo do cuidado às pessoas, locamos um novo espaço para o Albergue em POA com instalações adequadas às necessidades dos munícipes – inclusive com todos os dormitórios com ar condicionado, colchões, mobiliário e lençóis novos. Em Erechim, se arrastava uma briga de longos anos entre o município e a Paróquia São Pedro em função do Albergue Municipal. Apesar da resistência dos moradores do entorno do novo endereço, inclusive com abaixo-assinado, implantamos o Albergue na Rua dos Andradas e até o momento não tivemos nenhuma intercorrência de desídia com os residentes vizinhos. Acredito que estejamos no caminho certo, embora saibamos que há pontos a melhorar. Nosso objetivo é a valorização da vida.

 

Em relação aos editais que seguem ‘pendurados’, como o do estacionamento rotativo pago e o do transporte coletivo. Alguma novidade?

Lançamos por 3 vezes o edital do estacionamento rotativo pago, e, agora, creio que em poucos dias teremos a solução do problema, conhecendo o vencedor do certame. Sobre o transporte coletivo, lançamos o edital, sendo este o primeiro da história do município. No entanto, no último dia 10 (terça-feira), as duas empresas participantes entraram com recursos entre si e contra o próprio edital – o que, infelizmente, deve atrasar o trâmite. Gostaria de destacar, porém, que também já contratamos uma nova empresa, em caráter emergencial, para coleta dos resíduos domiciliares, com objetivo de reduzir gastos. Estamos, ainda, em fase final de elaboração do edital de concorrência pública do tratamento de água e esgoto de nossa cidade.

A prefeitura tem mais de R$ 30 milhões em caixa. Por que segurar este recurso, considerando que as ruas seguem com problemas e a saúde ainda está longe das promessas de campanha?

O ano mais difícil do governo municipal será o de 2018, ano de nosso centenário. Ele refletirá o que perdemos em arrecadação da indústria, comércio e serviços, em 2016. Os índices definitivos de retorno de ICMS e FPM já consolidados indicam que as perdas ficarão entre R$ 6 e R$ 10 milhões. Cientes disso, optamos pela prudência, até porque prefeituras grandes já estudam o parcelamento de salários, o que não gostaríamos que viesse a acontecer em Erechim. Além disso, pedimos e estamos muito preocupados com o RPPS, que já em 2028 deve se tornar deficitário. O RPPS quer vir aos cofres públicos porque precisa de revisão das alíquotas, que não podem ser suportadas apenas pelo município, precisando ser suportadas também pelo corpo funcional. Em resumo, com a redução das receitas que sabíamos desde o 1º dia de gestão, entendo que fomos prudentes ao fecharmos as torneiras. O que, porém, não impediu investimentos importantes como os que estamos encaminhando visando a aquisição de seis caminhões e algumas maquinas para reequipar o parque de máquinas. Está em processo, também, licitação para repavimentação de 10 grandes ruas, além da execução, com equipamentos próprios, da repavimentação de outras 12 ruas.

 

Nos bastidores, especula-se que o Sr iniciará 2018 com trocas no 1º escalão do governo. Caso isto se confirme, como o Sr determinará a escolha dos sucessores?

Estamos em processo de avaliação do desempenho de todos os secretários, dos CC´s e também das Funções Gratificadas (FG´s). É obrigação do governante avaliar permanentemente aqueles que são escolhidos para governar, em especial, os cargos comissionados.

 

Em 2018 Erechim comemora seu centenário. A população pode esperar novidades para o período? Partindo dali, de que a forma o Sr projeta a cidade até o fim de seu mandato, em 2020?

Teremos a participação da comunidade integrada à programação – que será realizada ao longo de todo o ano, e não apenas no mês do centenário. Por que isso? Porque queremos a humanização da cidade, seja na realização da Festa das Nações, na Feira do Livro, no Rally Internacional, na própria Frinape. Enfim, em todas as comemorações queremos que a comunidade conheça as suas próprias potencialidades. Se alguém disser que em Erechim construímos navios; dirão que é mentira, mas a verdade é que construímos todas as partes de um navio, produzidas pela Intecnial, e que são levadas para serem soldadas e unidas em diversos estaleiros. Em relação ao futuro, tenho um sonho: que é um sistema de saúde que consiga evoluir no atendimento de mais especialidades em alta complexidade, fazendo com que não necessitemos tanto de deslocamentos para outras cidades em busca do tratamento de nossa saúde. Coração, rins e pulmões são áreas que não podemos parar onde estamos. Precisamos evoluir mais. A oncologia, cujo tratamento de quimioterapia iniciado na gestão Dexheimer e ampliada quanto estive prefeito para a radioterapia, ainda vai evoluir muito. Antecipo aqui, aliás, que a partir de 2018 teremos dois serviços de radiologia na cidade, o que é importante.

 

A prefeitura de Erechim injetará recursos para garantir a Frinape 2018? Quanto seria? O Sr acredita que é possível que a Accie promova o evento sozinha, caso não haja acerto nos valores esperados pela entidade empresarial?

Com o advento da Lei 13019/14, que passou a vigorar em 1º de janeiro de 2017, existe uma necessidade da contrapartida das entidades que recebem recursos públicos, e não apenas uma prestação de contas. Assim, já encaminhamos pedido de recursos ao Banrisul para que seja o grande patrocinador da Festa das Nações, da Frinape e também do Rally. Existe projeto tramitando, também, no Ministério dos Esportes para destinação de recursos para o Rally de Erechim. Entendemos que a aplicação dos recursos dos contribuintes deva reverter em benefício imediato para todos. É uma questão de visão de cada administração.

Com este discurso, o Sr quer dizer que a Prefeitura pode não repassar valores para a Frinape?

Não, não disse isso. Aliás, antecipo que a prefeitura vai colocar recursos no evento, possivelmente, em número maior do que o previsto no orçamento, sem, no entanto, sacrificar os contribuintes.

 

Invariavelmente se discute a possibilidade da iniciativa privada promover a Frinape sem recursos públicos. O Sr acredita que esta alternativa seria possível?

Acredito na capacidade e na vanguarda do conhecimento de nossos empresários, que certamente conseguiriam realizar feiras desta magnitude sem um centavo de recursos públicos, se estes não estivessem disponíveis.

 

Muito se fala da necessidade das lideranças deixarem suas diferenças de lado a fim de construir unidade em torno de um nome local para Câmara dos Deputados. O Sr acredita que esta construção seja possível?

Acredito ser possível esta construção e não me atreveria a vetar o nome escolhido.

 

Qual foi o peso dos ex-prefeitos Eloi Zanella e Antonio Dexheimer em sua vitória no pleito do ano passado?

Muito grande, tenho convicção de que foram fundamentais. Não posso pensar que em uma eleição tão disputada quanto a ultima, o mérito seja meu.

 

E qual a participação deles no governo?

Discuti com ambos o programa de governo e sua implantação e jamais desrespeitaria uma opinião que deles viesse. Claro que tenho que tomar as decisões sozinho, mas ouço os secretários e também ouvi muito os ex-prefeitos.

 

Em seu círculo político e de amigos, há quem diga que o Sr, por vezes, ouve mais eventuais adversários políticos do que companheiros de legenda. Isso te incomoda?

Não incomoda, até porque não penso que isso aconteça. O que procuro fazer é ouvir o mais variado número de opiniões posível, primando pela isenção do meu interlocutor.

 

Em 2017 o governo municipal suspendeu as assembleias do Orçamento Participativo (OP). Este sistema de participação tem alguma chance de retornar em sua gestão?

Não só tem, como irá. Retomaremos o OP no ano que vem (2018), com a realização das assembleias. Acredito muito neste instrumento.

 

Então, por que parou?

Pela necessidade da secretaria do Planejamento elaborar os projetos das emendas parlamentares, o que ela fez bem. Hoje, temos R$ 12 milhões de recursos em emendas encaminhadas, e espero que aconteçam.

 

Quanto o governo destinará para o OP em 2018?

Não tenho o orçamento previsto, mas ele será retomado. Estamos zerando o que ficou para trás da gestão anterior – como por exemplo, 6 ou 7 ruas que serão recuperadas, e, a partir de 2018, elencaremos as próximas demandas, quando saberemos o valor total dos recursos que deverão ser destinados à execução dos projetos.

 

O Sr concorda que Erechim esteja vivendo uma crise de autoestima?

Sim, inegavelmente tivemos perdas pelas dificuldades de algumas empresas nos últimos tempos, mas, paralelamente, vimos o avanço de outras. Por exemplo, ter entre nós uma das maiores indústrias do mundo na área de mobiliários de escritórios, outra gigante da área de guloseimas e uma grande indústria de biodiesel, bem como outros exemplos, comprovam que os empresários locais têm potencial e são capazes de dar respostas até mesmo em meio à crise, que é econômica mas que, realmente, afeta a autoestima de todos. Tenho a convicção, porém, de que a grandeza de uma cidade se mede também pela grandeza dos homens que a fazem e independentemente do partido ou do cidadão que está no poder, nossa força de trabalho e de nossos empreendedores permite dizer que Erechim tem sim um grande futuro.

 

Ainda é cedo, sabemos. Mas, o Sr é candidato a reeleição, em 2022?

Não. Ao final do mandato, pretendo voltar para a vida estável e planejada que eu tinha até que as circunstâncias me fizeram disputar o pleito. A eleição de 2016 era para ter o Eloi Zanella ou o Antônio Dexheimer como candidato. Eles não concorreram, acabei encarando a disputa e vencendo. Em 2022, volto para casa. Pode escrever.

 

Se o Sr vier a concorrer, lá na frente, vou resgatar essa nossa conversa…

Pode resgatar. Mas, reconhecendo que as coisas mudam com o tempo, hoje, realmente, pretendo ficar em casa.

Por Salus Loch

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