Sequência de crimes gera pânico e preocupação em Erechim

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Dias atrás escrevi que ainda podemos andar com o celular aparecendo no bolso em Erechim (claro que não devemos simplesmente ‘dar sorte para o azar’), falei do imenso esforço de nossas forças policiais para manter Erechim e região em uma situação de violência abaixo de muitas outras cidades do Estado, apesar do cada vez menor efetivo nas fileiras de cada órgão. Pouco depois ocorreu um tiroteio à luz do dia em um dos maiores bairros da cidade, que deixou uma pessoa ferida devido a uma bala perdida. Circularam fotos de crianças e adultos, abaixados no corredor de uma Unidade de Saúde, uma cena digna das capitais na atualidade, onde a população, infelizmente, já está acostumada com episódios assim. Houve repercussão, tanta que gerou até certo e compreensível clima de pânico e preocupação. A coisa se agravou ainda mais quando no dia seguinte uma adolescente acabou assassinada com um tiro na cabeça, em desdobramento do primeiro confronto.

Na semana passada, crianças brincavam com rojões, não sei se este é o nome correto, na minha época chamávamos de ‘bombinhas’, aqueles papelotes com um tanto de pólvora e com a cabeça de um palito de fósforo aparecendo em uma das pontas, quando uma destas explodiu próximo ao pé de uma delas e causou ferimentos leves. A criança gritou, chorou, e neste instante teria iniciado uma correria, com várias pessoas afirmando “tiros, tiros”, e em segundos, mensagens percorreram aplicativos de celulares com a informação “criança baleada em escola”, levando certo tempo até que as coisas voltassem à normalidade e fossem esclarecidas.

O fato de as ‘bombinhas’ terem acabado por gerar pânico, mostra que a população está com medo, mas no meu entender, o tiroteio à luz do dia ter ganhado tamanha repercussão, indica que tal nível de violência ainda acontece esporadicamente por aqui, mas já acende um sinal de alerta, principalmente pelo fato de poucos dias depois, outro ato de bárbara violência ter sido registrado na cidade. Na noite de segunda-feira (30), um homem e seu filho de apenas 06 anos foram mortos à tiros dentro da casa onde residiam no bairro Copas Verdes. Uma adolescente de 14 anos, que seria namorada do homem, também acabou baleada. É fato que nossas policias continuarão a combater tal tentativa de evolução criminosa, mas passou da hora de o governo mostrar seu apoio a estes órgãos e à própria população.

Vemos forças-tarefa sendo enviadas para municípios onde explode a violência, mas, porque não enviá-las também para cidades onde isso ainda não aconteceu? Creio que é melhor prevenir do que depois tentar conter. Vejamos, por exemplo, a evolução do tráfico de drogas por aqui, até pouco tempo as apreensões envolviam pequenos traficantes, poucas quantidades, em seguida a quantidade de drogas encontradas em cada batida passou a aumentar, uma quadrilha de distribuição foi flagrada na cidade, um caminhão com 400 quilos de maconha que vinha do Mato Grosso prá cá foi pego pelo exército e recentemente, carreta na mesma situação, mas com 800 quilos foi apreendida pela Polícia Civil do Paraná.

Outra preocupação para o Alto Uruguai, e venho batendo a tempos nessa tecla, é o grande, e cada vez maior, envolvimento de menores em crimes mais graves (tráfico, homicídio, roubo e latrocínio). Creio ser necessário rever com urgência nossa Legislação, principalmente no que diz respeito às punições aos menores infratores, não estou dizendo que devam ser jogados em presídios superlotados e ficar ao lado de criminosos perigosos, mas quem sabe trabalhos voluntários, comprovação de rendimento escolar para não ser internado, por exemplo. Lembrando que nem de longe me considero especialista em tais assuntos, só acredito, como cidadão, que se não está dando certo desta forma, continuará dando errado se não mudar.

Por Alan Dias 

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