Igreja Matriz São José: Precisava derrubar? – Final

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Depois de diversas entrevistas, pesquisas, além de informaçõesrecebidas via email, telefone ou redes sociais, a coluna encerra (por enquanto) a abordagem referente à demolição da Igreja Matriz São José – ‘crime’ (contra a memória da cidade) cometido, sob a complacência da comunidade local, entre o fim dos anos 60 e início dos anos 70.

Ao longo dos três artigos já publicados, pode-se perceber que várias são as justificativas dadas ao episódio; nenhuma, porém, definitiva, o que mantém aberta a celeuma e as desconfianças sobre o real motivo do ato.

Enquanto fonte da Igreja Católica sustenta que a destruição se deu em razão da necessidade de ampliação do espaço para receber os fiéis, a fim de conquistar o status de ‘Diocese’; um membro da própria comissão de Obras de construção da Catedral, Orélio Pezzin, disse à coluna que a demolição se deu por motivos estruturais, eis que a antiga Igreja corria o risco de desabar.

Contraditórios, os testemunhos dão margem a interpretações diversas – que vagam o imaginário coletivo desde aquele período.

Humildemente, arrisco dizer que uma conjugação de fatores sacramentou o destino da Igreja Matriz.

Entendo que o desejo pelo moderno, pelo novo, pela Diocese foi, sim, determinante. A ele, porém, se juntaram outros interesses – que perpassam a seara econômico-financeira, mas não param aí. Formo juízo sustentando, diferente de diversas opiniões recebidas, que não foi ‘apenas por dinheiro’ que houve o assassínio do templo, ora sagrado – e hoje guardado nas memórias de muitos. Sonhava-se com o futuro, sem a percepção de que preservar nosso patrimônio era, e segue sendo, vital para a construção deste mesmo futuro almejado.

Por fim, respondo ao questionamento que provoquei no primeiro artigo da série: Igreja Matriz – precisa derrubar?

Minha resposta é não!, independente do motivo alegado, ou do sonho sonhado.

No entanto, o estrago foi feito – que nos sirva de lição.

Por Salus Loch/JBV Online 

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